quinta-feira, 27 de outubro de 2022

6ªSessão/texto - Recontextualizing Geography in Education

 O texto Recontextualizing Geography in Education é posterior ao texto que nós falamos na 5ªsessão sendo assim este fala sobre como o termo conhecimento poderoso (CP) é precisa ser usado com cuidado.

O texto continua e refere que "a aquisição de conhecimento" tem sido fortemente criticada por uma moda de argumentos construtivistas na educação, que frequentemente descrevem a aquisição como um processo passivo, implicando um modelo simplista de aprendizagem. Os autores do texto afirmam não assumem uma conceção estreita de 'aquisição', como se as mentes fossem embarcações vazias simplesmente para serem preenchidas com factos. Sendo assim a aquisição de conhecimento ocorre quando o aluno tem um envolvimento ativo com dados de todos os tipos e é facilitado por ser introduzido a novas ideias e "formas de ver".

Na sua famosa volte face Michael Young passou de defender o que ele considerava ser o “conhecimento dos poderosos” para defender o conhecimento poderoso, ou seja, este estimula um debate saudável sobre o que é que constitui um reconhecimento poderoso em temas como a Geografia. Sendo assim é preciso distinguir que conhecimento dos poderosos é diferente do conhecimento poderoso. O conhecimento dos poderosos acaba por ser uma crítica marxista que apareceu com a nova sociologia da educação nos anos 70 na escola inglesa onde o conhecimento académico era um instrumento de dominação de classes, ou seja, os mais poderosos controlavam os menos poderosos, porém quem não tinha acesso à educação ficava mais marginalizado. Ou seja, se os alunos não aprendem estes são marginalizados. Foi com este pensamento que Michael Young teve o seu volte face.

Triângulo Didático:

O Triângulo Didático tenta ilustrar a relação entre os três subsistis fundamentais do encontro educativo o professor, o conteúdo do sujeito, e os alunos – e para mostrar como são enquadrados tanto pela escola como por contextos sociais mais amplos. Cabe ao professor, dentro do modelo, selecionar e representar o conteúdo do assunto através da relação pedagógica, enquanto os alunos trazem as suas experiências para suportar esse conteúdo através da relação didática. A aprendizagem ocorre através das interações em sala de aula entre alunos e professores, das quais os alunos fazem sentido e desenvolvem relações inferenciais entre os diferentes aspetos do conhecimento com que se envolvem. De uma forma mais simples para explicar as relações entre os mediadores do processo:
  • Entre o conteúdo e o professor temos as representações que é a leitura que os professores fazem dos conteúdos, ou seja, cada um dos professores tem a sua própria leitura.
  • Entre os alunos e os professores temos a interação que é assim a relação pedagógica.
  • E por fim entre os estudantes e o conteúdo temos a experiência que é a leitura que os alunos fazem ao conteúdo e é medida pela experiência, ou seja, ter ou não vivências com a realidade estudada faz parte da experiência.

Figura 1 - Triângulo Didatico
Fonte: Fargher et al 2021

Transposição didática 

Veio da escola francesa e foi criado por Yves Cjevallard, um matemático em 1985, foi transporto para Geografia pela geografa Marsie Clary.

Num sentido simples, a geografia ensinada nas escolas permite aos alunos "aprender e refletir sobre os aspetos do mundo". Isto requer, em parte, a recontextualização do conhecimento criado nas universidades numa forma adequada educativamente. Em cada fase da recontextualização ocorre uma transformação do conhecimento geográfico e, naturalmente, o processo de transformação ainda não está completo sem compreender plenamente a própria sala de aula como um espaço dinâmico. Assim, o processo de recontextualização é um processo de enorme complexidade a vários níveis.

O conjunto de transformações que o conhecimento científico sofre até ser conhecido como com conhecimento escolar:



Figura 2 - Transposição Didática
Fonte: Ideias de Professor Sérgio Claudino; Fabrico próprio

Fora deste processo temos ainda os alunos onde cada um interpreta como quer, ou seja, cada um faz a sua reinterpretação do conhecimento aprendido lembrar também que a transposição didática temos a parte externa e interna. A externa é entre a Noosfera e os Conteúdos, a interna é entre os Conteúdos e os Professores.
Sendo assim os alunos ganham aprendizagens que é nada mais, nada menos que os conhecimentos adquiridos (ou seja, aquilo que os alunos aprendem). As competências não passam de um conjunto de conhecimentos, capacidades (skills) e atitudes mobilizadas no processo de aprendizagem.


Nota: é preciso ter em conta que, por exemplo, ter a capacidade (técnica) de observar ≠ ter a atitude de observar

Sumário: A recontextualização na educação geográfica ou processo de transposição didática como conjunto de transformações do conhecimento científico em conhecimento vinculado aos alunos


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