domingo, 27 de novembro de 2022

11ªSessão - Aprendizagens Essenciais

 Nest aula de didática focamo-nos nas aprendizagens essenciais da Geografia no 3ºCiclo e no Secundário. Perante isto percebemos que no 3ºCiclo a Geografia é descrita como uma a ciência e a disciplina que se distingue e caracteriza pelo pensamento espacial, que pode ser definido como o conjunto de competências que compreende o conhecimento dos conceitos relacionados com o território, a utilização de ferramentas (capacidades) de representação dos fenómenos geográficos e o conjunto de processos explicativos das suas interações, numa visão multiescalar (referência não tao obvia as atitudes). Nesta definição de Geografia falta a interrelação dos lugares com o ser humano, ou seja, não está presente o aspeto da relação do homem e da natureza (Sociedade e ambiente).

Nas aprendizagens essenciais refere também que é fundamental desenvolver uma educação geográfica que problematiza, questiona e procura equacionar cenários e inventariar soluções para as complexas situações que ocorrem no Mundo. Esta ideia acaba por estar bastante ligada a Geografia aplicada e está bastante ligada ao texto falado na sessão anterior.

Nas aprendizagens essenciais estão organizadas de modo a privilegiar as metodologias de análise espacial, desde as mais simples, como a observação direta e indireta dos elementos da paisagem, às mais complexas, de problematização dos contrastes espaciais num mundo cada vez mais globalizado.

Perante isto selecionados três grandes áreas de desenvolvimento das competências

1ª localizar e compreender os lugares e as regiões (conhecimento dos lugares/onde estão os lugares e a suas características); 

2ª problematizar e debater as inter-relações entre fenómenos e espaços geográficos (ideia de discutir as relações entre fenómenos físicos e humanos no espaço); 

3ª comunicar e participar (mais geral e desenvolvida em várias disciplinas) - o conhecimento e o saber fazer no domínio da Geografia e participar em projetos multidisciplinares de articulação. 

O desenvolvimento destes três domínios deve ser feito de forma a que, partindo-se de um conceito ou de uma situação-problematizadora, se possam aplicar propostas metodológicas escolhidas pelo professor, tendo em consideração a especificidade da escola e dos alunos, que permitam uma articulação entre os três domínios do saber:

- O saber-saber (conhecimento),

- O saber-fazer (capacidades) e

- O saber-ser (atitudes).

Os alunos devem ser capazes de responder a um conjunto de questões: Onde se localiza? Por que se localiza? Como se distribui? Quais as caraterísticas dessa distribuição? Que impactes se observam? E como deve ser gerido para benefício mútuo da comunidade e do ambiente? De forma a simplificar a 1ªpergunta que se faz em Geografia é o onde, temos de perceber a localização pois não vamos falar de um território sem identificar onde este é (a importância do mapa).

Esta parte inicial acaba por ser semelhante as outras aprendizagens essenciais dos outros anos do 3ºcilco havendo apenas pequenas alterações sem falar, obviamente, nos conteúdos e conceitos que são diferentes.

As áreas de Competências - exemplos do Contributo da Educação Geográfica para as áreas de competências: 




Figura 1 - exemplo do 8ºano


Quanto a operacionalização das aprendizagens essenciais estão são dividias em Temas (exemplo: Meio ambiente), domínios (exemplo: Localizar e compreender os lugares e regiões), conteúdos (exemplo: Distinguir clima e estado do tempo, utilizando a observação direta e diferentes recursos digitais.) e atividades e recursos mobilizados para as ações estratégicas de ensino orientadas para o perfil dos alunos (exemplo: formular hipóteses para a representação cartográfica a utilizar face a um fenómeno ou evento). No que toca aos conteúdos temos de notar que no caso das aprendizagens essenciais este pode ser desmontado, por exemplo, "Distinguir clima e estado do tempo, utilizando a observação direta e diferentes recursos digitais" enquanto a parte a negrito é o objetivo que pretendemos que o aluno obtenha, a parte sublinhada é a competência para a forma como este é atingindo e concretizado. 

Em termos do que se pretende ensinar aos alunos acaba por haver críticas com o facto que no 7ºano fala-se dos biomas, mas os fatores climáticos só são falados no 9ºano. O que acaba por não ter muita lógica uma vez que como podemos falar dos biomas sem falarmos do clima? Para alem de que quando for estudar o clima terão de fazer relembrar os biomas uma vez que não se devem lembrar.

Os conceitos ajudam a identificar os conteúdos científicos que queremos abordar (a parte antes é como queremos abordar). É nos conceitos que vemos diretamente a concretização do que se pretende que os alunos aprendem. Esta parte dos conceitos tenta ficar "escondida" no fim das aprendizagens uma vez que de certa forma dissemos que os alunos têm de memorizar os conteúdos.

Uma coisa comum nas aprendizagens essenciais de 3ºciclo e do secundário é que em alguns dos anos são demasiados conteúdos e conceitos que pretendemos que os alunos sabem, se calhar é altura de simplificar.

Uma diferença entre o 3ºciclo e o secundário temos umas mudanças uma vez que no secundário é realçado a importância do reconhecimento da identidade espacial de Portugal, nos contextos europeu e mundial, o conhecimento geográfico do país, do seu território, dos seus recursos naturais e humanos e suas inter-relações, é uma componente fundamental do currículo nacional. A nossa matriz cultural e o nosso lugar no conjunto dos povos e das nações só podem ser entendidos se houver uma compreensão efetiva do território em que vivemos. A identidade e a cultura alicerçam-se na diversidade do mosaico territorial, na forma como se articulam várias dimensões da sua compreensão, incluindo as condições naturais e socioeconómicas. Um povo que não conheça e não estime o seu território, que é parte integrante da sua cultura e vida quotidiana, terá grande dificuldade em entender a importância da sua gestão planeada e ordenada e de nele intervir numa perspetiva de cidadania ativa. Isto acaba por estar ligado a matriz nacionalista que veio do século XIX, foi também neste século que houve a instituição da Geografia. No secundário no que toca aos conteúdos e conceitos a falta de articulação entre a parte física e humana. 

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Texto - How to escape education's Death Valley by Sir Ken Robinson

 Na Unidade Curricular de Currículo e Avaliação vimos um video bastante interessente chamando "How to escape education's Death Valley" um TED talk apresentando por Sir Ken Robinson. Achei pertinente falar um pouco deste video aqui no meu blog de Didática para monstra que o ensino como o conhecemos tem de mudar, pois, no estado atual não favorece nem os alunos nem os professores. Sendo um professor em formação/aluno do Mestrado de Ensino da Geografia tenho (juntamente com todos os outros professores) de pensar em novas metodologias inovadoras como alternativas ao ensino atual e poder ajudar a educação a fugir a sua "morte". Segue em seguida um breve resumo do vídeo que após lerem vão perceber como temos de mudar a forma como ensinamos, pois, só assim é que vamos conseguir dar uma nova vida a edução, diria até eu, "florir" a edução outra vez! Sintam-se livres de comentar a vossa opinião! Caso estejam curiosos o link para assistirem ao video estará no fim deste post.

Sir Ken Robinson começa primeiro por fazer uma piada sobre o facto de os americanos não perceberem a ironia, afirmado que eles a percebem, pois quando vemos a legislação “No Child left behind”, este nome é irónico por si só, uma vez que milhões de crianças são deixadas para trás. Sir Ken Robinson entende que as razões de milhões de crianças abandonaram a escola não está relacionada com a faltam de investimento, mas sim porque o ensino caminha na direção errada.

Este autor apresenta três princípios no qual a vida humana floresce e que são contraditórios na cultura da educação, na qual os professores têm de trabalhar e os alunos de suportar. É nesta parte que percebemos então que o problema está no currículo.

Por exemplo, um dos três princípios é que os seres humanos são naturalmente diferentes e diversos, porém a legislação “No Child left behind” é baseada na conformidade e não na diversidade

Uma das consequências que a legislação “No Child left behind” teve no currículo e na educação foi o grande foco nas disciplinas das ciências, matemáticas, tecnologias e engenharia (STEM), porém verifica-se que elas são importantes, mas não suficientes. As artes, as humanidades e a edução física precisam de ter a mesma importância.

As crianças prosperam com um currículo vasto que aborda todos os seus talentos e não apenas uma minoria deles. Também, a curiosidade (segundo princípio) tem sido desvalorizado apesar de ser o “motor” das descobertas. Um dos efeitos que a cultura da educação teve foi a desprofissionalização dos professores, uma profissão criativa, que são o “sangue” do sucesso das escolas. Ensinar não é só transmitir conhecimento, mas também aconselhar, estimular, provocar e empenhar.

No fundo a educação tem o seu foco na aprendizagem, se não houver aprendizagem não temos educação. O problema é exatamente este, ou seja, a cultura da educação tem-se focado não em ensinar ou aprender, mas sim em testar. Este não devia ser o foco, mas sim o diagnóstico. É suposto apoiar e não impedir como acontece. Assim ao invés de uma cultura do conhecimento temos a cultura de submissão. Tanto alunos como professores têm de seguir um “algoritmo” de rotinas ao invés de exercitar a criatividade e a curiosidade. Obrigamos os alunos a serem estandardizados, apesar de o ser humano ser naturalmente criativo (terceiro princípio).

É o governo central, em alguns casos, que decide o que devem fazer, mas não é aqui onde acontece o ensino, mas sim nas salas de aulas e nas escolas. São os professores e os alunos que deviam ter o poder, autonomia e a responsabilidade para escolher o que se deve ensinar. Sistemas com os da Finlândia evitariam o abandono escolar. Temos de mudar o sistema para este voltar a “florir”, ou seja, o ensino e a aprendizagem não estão mortos, mas apenas adormecidos. Bastando para isso acreditar na capacidade de ensinar e não apenas de lecionar e testar.


Link para aceder ao video:

https://www.ted.com/talks/sir_ken_robinson_how_to_escape_education_s_death_valley



quinta-feira, 24 de novembro de 2022

10ª Sessão - Mérenne-Schoumaker (1985). Savoir penser à l'espace (segunda parte)

Na segunda parte da aula tivemos a discutir sobre o texto de Mérenne-Schoumaker (1985). Savoir penser à lespace....

Segue-se em, seguida um resumo das partes mais relevantes do texto assim como algumas notas da aula.

 SABER COMO PENSAR SOBRE O ESPAÇO

Para uma renovação conceptual e metodológica do ensino da geografia nas escolas secundárias

Em vários países, o entrincheiramento da geografia no ensino secundário está em crise. mas o mal-estar ainda é explicado pela concorrência de outras disciplinas (que estão mais interessadas no espaço) e pela explosão geral da investigação geográfica a nível universitário.

Perante um mundo em que tudo está em constante evolução, onde será necessariamente diferente da atual e onde a caneta vê é cada vez mais divergente, o geógrafo de ensino é inevitavelmente abalado, especialmente porque os currículos escolares são muito rígidos, ou muito liberais. Como podemos assegurar que, muitas vezes, há apenas uma hora de aulas por semana - ensinar o essencial, compreender melhor as notícias, aprender as principais ferramentas ou técnicas, ao mesmo tempo que motiva os seus alunos e os ajuda a assumir gradualmente a sua própria formação?

Sem fingir responder a todas estas questões e resolver todos os problemas, gostaríamos de partilhar algumas flexões que acreditamos que ajudarão à renovação do ensino da geografia. Fruto de muitas reflexões pessoais e de numerosos intercâmbios com colegas do ensino secundário, a nossa análise centrar-se-á em dois pontos: primeiro, tentar definir as bases de um plano mestre para o ensino da geografia e, em segundo lugar, propor uma nova metodologia para o estudo de factos e conjuntos espaciais. Mas primeiro, alguns comentários gerais sobre o ensino da geografia no ensino secundário.


1. Geografia no ensino secundário: observação e propostas


Demasiadas vezes, o curso de geografia do ensino secundário é reduzido a:

     - A transmissão pelo professor de informação disponível noutros locais, por exemplo, dados demográficos ou económicos sobre uma região, delimitação de grandes áreas de relevo de um país;

   - Técnicas de aprendizagem não especificamente geográficas, por exemplo, construção de uma pirâmide de idades, cálculo de uma média climática

Sem negar o interesse de determinadas informações transmitidas ou de aprendizagem de determinadas técnicas, pensamos que seria apropriado redefinir o papel atribuído ao curso de geografia na formação de adolescentes, especialmente porque, graças ao computador, existem novas possibilidades para a aprendizagem de determinadas técnicas e também para a recuperação de informação (banco de dados e/ou centro de documentação).

Para nós, quatro grandes princípios devem orientar a reorganização do ensino da geografia no ensino secundário:

1, A geografia no ensino secundário não pode ser uma diluição da geografia universitária. Como R. Choquette (1983), afirmamos que, por conseguinte, não se pode fazer qualquer questão de elaborar programas inspirados nos praticados na Universidade. Recusamos assim uma geografia "com gavetas" (geomorfologia, pedologia, geografia da população, geografia do enredo, etc.) e propomos uma geografia macroscópica que integra os conceitos fundamentais da disciplina. (cirtica ao modelo da transposição didática)

2.  Tal como P. Pinchemel (1982), acreditamos que se trata menos de uma questão de aprendizagem geográfica do que de dar a todos uma educação geográfica (formação de base em geografia). O objetivo desta educação é garantir que "os homens não se sintam mal nas peles dos seus espaços e ambientes, nas suas paisagens e nas suas regiões, mas também nas paisagens e regiões de civilizações que não as suas próprias... porque conhecerão as suas origens e evoluções, então porque, tendo compreendido, poderão agir sobre elas, transformá-las em conhecimento dos factos".

3. A geografia não só deve ajudar o adolescente a olhar para o mundo, como também deve ser um verdadeiro instrumento de formação. Com a Fegepro (1976) pensamos que as numerosas abordagens e operações intelectuais implementadas em geografia podem servir de transferência para outras áreas de conhecimento e ação.

4. Se quiser os adolescentes para "saberem pensar sobre o espaço", ou seja, ser compreender e agir dentro do seu espaço diário e ter em conta os espaços dos outros, uma visão globalizada dos factos espaciais é - como já dissemos - indispensável, daí a primazia dos conjuntos espaciais. No entanto, os destes estudos não podem ser apenas reduzidos à análise de objetos (componentes físicos e humanos), mas deve também tratar-se de indivíduos. Assim, a compreensão do ambiente requer não só ter em conta como estruturas e organizações espaciais, mas também perceções, práticas e relações sociais.

Além disso, o papel do professor deve ser modificado. Como refere o relatório Fegepro (1976), "o seu papel já não é transmitir um tema muito específico aos discípulos submissos, mas pelo contrário o de um facilitador-formador aberto a todas as iniciativas, pronto a discuti-los e a coordená-los para ajudar o adolescente a assumir as suas responsabilidades e a estruturar o seu próprio entendimento sobre o mundo atual".

É certo que não se trata de transformar as salas de aula "em salões ou eu falo" mas sim em laboratórios reais, onde professores e alunos juntos, armas de fundações teóricas e metodológicas, estudariam em conjunto uma questão escolhida num programa próprio organizado de acordo com um plano geral de mestre, ou seja, lembremo-nos, de um plano que assuma as principais linhas do ensino da geografia.

Impõe-se, portanto, a todos aqueles que desejem uma nova geografia no sector secundário, que definam este plano mestre.

          2.      Fundações de um plano mestre para o ensino da geografia

Em nossa opinião, o desenvolvimento de um plano mestre requer a resolução das seguintes quatro perguntas:

1) Quais são as perguntas que a educação geográfica deve ajudar a responder?

2) Quais são os principais conceitos que os adolescentes devem dominar no final da sua formação?

3) Qual é a especificidade e originalidade do raciocínio geográfico e como pode ser adquirido este raciocínio?

4) Como se podem organizar o conhecimento, o know-how e as competências interpessoais, tendo em conta tanto a evolução dos adolescentes como a lógica interna da educação geográfica?

2.1. Perguntas-chave

Estas questões-chave foram bem formuladas pela Associação de Geógrafos Ingleses numa reflexão sobre os currículos das classes finais do ensino secundário (N.J. Graves e Colaboradores, 1982). A figura 1 mostra estes resultados com alguma modificação para introduzir, ao lado dos fenómenos (objetos), sociedades e indivíduos (sujeitos).

Figura 1 - Questões-chave para o ensino geográfico no ensino secundário

Fonte: Mérenne-Schoumaker (1985)

2.3.  Raciocínio geográfico

Na geografia, como noutras disciplinas, a abordagem fundamental é a abordagem científica. Mas o raciocínio geográfico apresenta uma originalidade: comparar análises em escalas diferentes.

2.3.1.      A abordagem científica – Método científico aplicado a Geografia

Consiste em:

- Fazer suposições;

- Confrontar as hipóteses e os factos;

- Construir uma explicação dos factos estudados.

Na classe, esta abordagem é bastante um fracasso aplicável, como foi bem demonstrado por R. Choquette (1983) ou D. Belayew - J. Riton (1983) dos quais reproduzimos na Figura 2 O diagrama geral de aprendizagem em grupo da abordagem científica.


Figura 2. -- Diagrama de aprendizagem em grupo de uma abordagem científica aplicável em geografia

                                                                     Fonte: Mérenne-Schoumaker (1985)


No entanto, há que cumprir determinadas condições:

- Formular bem e identificar a questão a estudar:

 - Escolher hipóteses de um nível acessível pelos alunos;

- Dispor da documentação necessária durante a comparação (em especial mapas e estatísticas ao nível espacial indicado);

- Limitar a explicação aos processos compreensíveis pelos alunos e o adiamento de determinadas análises numa fase posterior da formação em simplificações excessivas.

2.3.2. Os diferentes níveis de análise do raciocínio geográfico

Como já dissemos, aprender raciocínio geográfico significa aprender diferentes formas de comparar análises e escolher o nível espacial certo para lidar com a questão.

Este problema tem sido particularmente bem analisado por Y. Lacoste, tanto a partir de uma perspetiva geoestratégica (1980) como pedagógica (1981).

Inspirado numa classificação elaborada por J. Tricart (1965), Y. Lacoste distingue, de facto, oito ordens de magnitude de conjuntos espaciais concretos ou abstratos:

1. Aqueles cujas dimensões são medidas em dezenas de milhares de km: por exemplo, continentes, oceanos, grandes cadeias montanhosas como os Andes, um estado: URRS, etc.;

2. Aqueles cujas dimensões são medidas em milhares de km: o Escudo Canadense, o Mar Mediterrâneo, Estados como os Estados Unidos, Canadá, China, por exemplo;

3. aqueles cujas dimensões são medidas em centenas de km: a Bacia de Paris, os Alpes, um estado como a França, etc.;

4. aqueles cujas dimensões são medidas em dezenas de km: o maciço de Vercors nos Alpes, uma grande aglomeração urbana, como Paris, etc.;

5. Aqueles cujas dimensões são medidas em km: uma grande cidade, a terra de uma aldeia, etc.;

6. Aqueles cujo tamanho é medido em centenas de m: um bairro, uma aldeia, etc.;

7. Aqueles cujo tamanho é medido em dezenas de m: um patê de casas, uma aldeia, uma madeira, uma rocha grande, etc.;

8. Aqueles cujo tamanho seja medido em metros: sebes de sebes, vários edifícios, ravinas numa encosta, etc.

No entanto, este raciocínio requer novamente aprendizagem. Para facilitar isto, é possível, uma vez que Y. Lacoste (1981) tem de comparar mapas diferentes correspondentes a observações feitas em espaços de tamanhos muito diferentes. A seguinte Figura 3 também pode ser utilizada, fornecendo uma grelha para a análise de um problema em diferentes níveis espaciais.

2.4.  Em busca de uma organização geral de conhecimentos, know-how (saber fazer) e competências interpessoais

Quando analisamos os currículos de muitos países, é muitas vezes impressionante devido à sua falta de coerência interna e à falta de gradação na aprendizagem e nos objetivos. Tudo acontece como se tivesse justaposto de diferentes materiais. Pergunte-me sobre os pré-requisitos para determinadas aquisições e as dificuldades inerentes a determinados conteúdos. No limite, sente-se tentado a acreditar que seria possível trocar os programas de certos anos sem comprometer profundamente a formação.

       3.      Proposta de nova metodologia para o estudo dos factos e dos conjuntos espaciais

Para nós, qualquer análise dos factos e dos grupos espaciais deve ser organizada com base no conhecimento prático e sensível dos alunos, das suas perceções e dos seus desejos. O treino de um indivíduo pode.

Figure 4. - Proposta de organização geral de conhecimentos, know-how e competências interpessoais

  Fonte: Mérenne-Schoumaker (1985)

Para que a geografia participe eficazmente no processo de formação, é necessário desenvolver uma metodologia que abrace estas três etapas principais. Por esta razão, a Figura 5 propõe uma nova abordagem metodológica.

Figura 5. -  Comparação entre as três fases da metodologia para o estudo de factos e conjuntos espaciais

  Fonte: Mérenne-Schoumaker (1985)

Facilmente aplicável ao estudo do ambiente local e, em particular, ao distrito urbano, este método pode ser facilmente transposto para outras circunstâncias, como o estudo de outros grupos espaciais (regiões, países) ou problemas gerais (por exemplo, fome mundial, terramotos ou desenvolvimento urbano).

O propósito de cada passo também é muito específico, uma vez que o primeiro é usado principalmente para motivar, o segundo para aprender conhecimento e know-how (saber fazer) e o terceiro a treinar (competências de aprendizagem).

De facto, em comparação com as práticas pedagógicas tradicionais, este método inova principalmente no início e no fim. Tais alterações podem ser justificadas da seguinte forma.

Quanto à fase final, prossegue objetivos semelhantes à pedagogia dos projetos, nomeadamente para conduzir a um resultado da investigação realizada em sala de aula e do contributo para a formação de adultos de amanhã. Também pré-concebida por outros geógrafos, esta metodologia prepara-se indubitavelmente para a ação e facilita a aprendizagem do diálogo e da participação. Desta forma, o adolescente será capaz de compreender que, para alcançar o melhor resultado, não pretende sonhar ou criticar, mas que é impensável primeiro analisar aprofundadamente os problemas e possíveis soluções, e depois procurar com os outros a melhor solução.


Notas finais/comentários:

Já desde 1985 que se diz que o ensino da Geografia está em crise e essa ideia ainda existe nos dias autuais

Este texto "Saber pensar o espaço" vai servir de slogan mais tarde para as orientações curriculares

Este texto acaba também por ser uma crítica ao texto neoconservador da Margaret Roberts, sendo até um pouco engraçado pois a escola francófona é mais conservadora que a escola anglo-saxónica (como já vimos na 1ª Carta Internacional da Educação Geográfica). A escola portuguesa filia se na escola francófona fazendo com que a nossa escola seja muito descritiva e fala se muito do que existe, mas sem haver discussão/ debate sobre o futuro. 

Na figura 1 temos exatamente essa parte nova na escola francófona, a ideia de que não podemos só transmitir, mas também o que fazer. Ou seja, não basta limitar-nos a descrição temos de debater.

10ªSessão - 2ªCarta Internacional da Educação Geográfica (primeira parte)

 Comprada a 1ªCarta Internacional da Educação Geografia, a 2ªCarta que acaba por ser ma atualização da 1ªCarta uma vez que esta por ser de 1992 pouco fala tecnologias de informação digital (esta terá sido a razão de criar uma nova carta uma vez que a carta de 1992 não valorizava a tecnologia na Geografia, logo a carta de 2916 acentua a mesma) pois de resto a 1ªCarta foi pouco criticada.

Sendo assim está 2ªCarta Internacional da Educação Geografia reforça as redes de colaboração entre os professores, as diferenças culturais, volta a retomar a Carta das Nações Unidas (Soberania/Paz/Respeito entre países) e os direitos do homem começando assim por retornar a importância dos direitos humanos. Esta ideia de reforçar a construção de redes de profissionais entre os docentes de Geografia aconteceu graças ao facto de que, quem estava a frente da carta participava num projeto de cooperação internacional chamado Geocapabillities.

Como podemos vimos em post anteriores (9ªSessão e o esquema de síntese sobre Educação Geográfica), na carta de 2016 para além de voltar a afirmar as proclamações antecedentes afirma em 2016 que:

"A geografia é o estudo da Terra e dos seus ambientes naturais, físicos e humanos. A geografia possibilita o estudo das atividades humanas e das suas inter-relações e interações com os diversos ambientes, da escala local à escala global;"

Por outras palavras esta afirmação tenta contemplar as duas grandes perspetivas da Geografia a Ecologica e a Corológica (faladas no post da 9ªSessão). 

Algo de novo que aparece nesta carta prende-se com a ideia de que a Geografia é atrativa através da beleza e do fascínio da Terra, ou seja, uma valorizar o interesse dos alunos pelo planeta Terra, como podemos ver no excerto da carta em baixo sobre a contribuição da Geografia para a educação:

 "Quando ensinada de forma pertinente, a disciplina de geografia pode fascinar e inspirar os jovens. Garantir a qualidade do seu ensino nas escolas é, por conseguinte, um dever essencial dos responsáveis políticos e dos dirigentes educativos a nível internacional. Seja através da valorização da beleza do planeta Terra, da demonstração do imenso poder das forças que o modelam, ou das múltiplas e hábeis formas como os indivíduos organizam as suas vidas em diferentes ambientes e circunstâncias, o estudo da geografia ajuda os jovens a entender e a valorizar o modo como os lugares e as paisagens são construídas e como as pessoas e os ambientes interagem. Nesse sentido, a geografia permite compreender tanto as consequências de carácter espacial que resultam das nossas decisões quotidianas, como o variado e interligado mosaico de culturas e sociedades que povoam o nosso planeta."



segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Noticia - Câmara Municipal de Coimbra recebeu os alunos dos Mestrados em Ensino da Geografia da Universidade de Coimbra

No passado dia 18 de novembro os nossos caros colegas do Mestrando em Ensino em Geografia (assim como de outros mestrados) da Universidade de Coimbra tiveram a oportunidade de serem recebidos, no Salão nobre, pela vereadora, Ana Cortez Vaz, da Ação Social e da Educação da Câmara Municipal de Coimbra. Este encontro aconteceu teve como objetivo apresentar a forma como o Município efetuou o acolhimento e o acompanhamento dos refugiados ucranianos, em Coimbra.

O encontrou serviu para que, quer a vereadora Ana Cortez Vaz quer os técnicos da Divisão de Ação Social da CM de Coimbra, partilhassem com os estudantes o método de acolhimento e de integração de refugiados provenientes da Ucrânia, desde a recolha de bens, o funcionamento do banco de famílias, a utilização do Centro de Saúde Militar, o acompanhamento aos serviços (SEF, Segurança Social IEFP), a integração das crianças e jovens nas escolas e ainda o acompanhamento que se continua a fazer aos agregados familiares ucranianos ainda presentes no concelho.

Uma form a de demonstrar que o ensino em Geografia é importante nas diferentes temáticas no mundo uma vez que, falando neste caso específico e falando do que nós verificamos na alua anterior na Carta Internacional Educação Geográfica vimos que esta tem por base a Carta da ONU onde não só se fala da compreensão internacional e do respeito pelas outras culturas como também fala da soberania de cada nação.

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

9ªSessão - Perspetivas Ecologica e Corológica (Espacial)/1ªCarta Internacional da Educação Geográfica



Para completar o quadro acima temos que saber que a Geografia estuda então as relações entre o homem e a natureza que é definição da perspetiva ecológica sobre a Geografia, ou seja, a relação entre os grupos humanos e ambientes antigamente designada por homem natureza.

Sobre a perspetiva possibilista temos grandes geógrafos portugueses como Orlando Ribeiro, Silva Telles e o Amorim Girão.

Sobre a perspetiva cronológica temos o “criador” da nova Geografia em Portugal o Jorge Gaspar.

Carta Internacional de educação geográfica

Tendo um contexto inicial esta carta foi assinada em 1992 pouco depois da queda do muro de Berlim em novembro de 1989 sendo assim a carta foi criada numa altura em comum estava em completa transformação e a Geografia tenta-se posicionar-se neste novo contexto.

Durante a discussão de turma houve quem chama-se a esta carta a “carta miss mundo” no sentido de que apela à paz e à compreensão Internacional, ou seja, a tolerância entre os povos. Este termo de compreensão Internacional não é tão vulgar na Carta Internacional de 1992 sendo assim a expressão mais usada é o contributo da Geografia para a educação Internacional. Nesta carta a acentuasse que a Geografia contribui para a tal compreensão Internacional após a Segunda Guerra Mundial que quando aprendemos as diferentes realidades, aprendemos a aceitar e a ser tolerantes dos outros povos.

Temos de ter também em conta que a mudança do século XIX que é um século de instrução (onde aparecer os primeiros sistemas educativos) para o século XX um século do nacionalismo que em grande parte dos países censura os manuais escolares principalmente entre as guerras mundiais. Foi aqui que se percebeu que a educação geográfica é realmente essencial e a carta é um bom exemplo disso onde se fala muito em cooperação Internacional a carta é importante, mas também temos que ser críticos perante a mesma. Como vamos ver no esquema abaixo a carta apoia-se e vai buscar as suas bases aos princípios estabelecidos pelas cartas da ONU.

Figura 1 - Educação Geográfica

Fonte: IGU., 2016


Na carta percebemos que a Geografia vira-se para as preocupações sociais mostrando que todas as dimensões têm carácter Geográfico:

Figura 2 – Dimensões tratadas pela Geografia

Fonte: IGU., 1992

Estes problemas criam questões e conflitos que constitui um desafio para os professores de Geografia que estão empenhados em dar aos seus alunos esperança, confiança e competências para trabalhar em prol do mundo melhor.

Independentemente de onde nascem as pessoas todas têm direito a ter condições de vida mínima sendo assim o projeto da educação geográfica vai buscar a Declaração Universal dos Direitos do Homem (são do Homem e não da Humanidade porque os países muçulmanos não o quiseram) alguns dos seus princípios como por exemplo o Artigo 25:

Figura 3 – Artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos do Homem

Fonte: IGU., 1992

Na Carta a definição da Geografia é a ciência que procura explicar as características dos lugares e a distribuição da população, dos fenómenos e acontecimentos que ocorrem e evoluem a superfície da Terra. A Geografia diz assim respeito às interações do Homem com o ambiente num contexto de cores e localizações específicas. Perante isto esta definição de Geografia tenta responder as 2 correntes/perspetivas da Geografia a Ecológica e a Corológica, mas sem sair da corológica, fazendo assim uma ponte entre as duas.

Estas características espaciais são a extensão do estudo, a diversidade de metodologia, o trabalho de síntese feito a partir das outras disciplinas incluindo as ciências físicas e as humanidades e o interesse na futura gestão das relações entre a população e o ambiente. Sobre isto os geógrafos põem questões variadas ligadas à localização, às características, ao que aconteceu, ao impacto e à forma de gerir para benefício muito da humanidade e do ambiente natural. Isto demonstra a proatividade que a Geografia deve ter, ou seja, discutir o que se deve fazer.

Educação para o desenvolvimento tive muita influência da escola britânica/Anglo saxónica, sendo assim cresce no Coração do Império britânico e debruça se sobre o mundo focando-se assim nas questões do desenvolvimento. Tratando assim da relação entre o Norte e o Sul Global (pouco utilizado, mas teve um grande papel e ainda tem alguma pertinência). Trata-se então de temas à escala sobretudo mundial, mas também podem ser à escala nacional. de uma forma geral é uma espécie de um diálogo entre os países desenvolvidos e os países em vias de desenvolvimento. Temos assim grandes esforços para identificar os conteúdos formativos da Geografia a nível dos conhecimentos, capacidades e atitudes.

A Geografia e a educação do indivíduo apesar de ajudarem no desenvolvimento do conhecimento, da compreensão, das capacidades, das atitudes e dos valores continua a ser um processo holístico na educação, sendo assim agrupado por tipos de objetivos. Na Geografia os estudantes são encorajados a explorar e a desenvolver o conhecimento, a compreensão, as capacidades, as atitudes e valores.

O ensino da Geografia tem um contributo bastante importante no que toca à educação Internacional uma vez que promove a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as Nações, raças e religiões e as atividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.

A educação ambiental e a educação para o desenvolvimento são a todos os níveis e a todos os cidadãos cruciais para assegurar o desenvolvimento sustentável do mundo. A educação geográfica e contribui para isto assegurando que os indivíduos tenham consciência do impacto do seu próprio comportamento e do das sociedades onde vivem, tenham acesso à informação precisa e capacidades que lhes permitam tomar decisões fundamentadas relativas ao ambiente, e para desenvolver uma ética relativa ao ambiente que lhe as suas ações.


Sumário: As perspetivas Ecológica e Corológica/Especial em Geografia.

               1º Carta Internacional da Educação Geográfica no pós-guerra fria a valorização dos direitos                     humanos e dos problemas ambientais

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Curiosidade - Somos 8 mil milhões!!!

A população mundial ultrapassou esta terça-feira, 15 de novembro, a marca dos 8 mil milhões, segundo a ONU. Foi assinalado de forma simbólica às 9h00 de terça-feira.

Além de mi nasceram mais 133,9 milhões de bebés em todo o mundo no ano de 2001, dos quais 113 mil em Portugal. Em janeiro desse ano, o planeta tinha 6,23 mil milhões de pessoas e depois de mi já nasceram mais 2,92 mil milhões.  

Uma questão para refletir: Será que que o problema está na quantidade de seres humanos no nosso planeta ou será que o problema é do consumo excessivo e desregrado?  

sábado, 12 de novembro de 2022

8ªSessão - O Valor Formativo da Geografia/ Uma disciplina que promove a compreensão internacional

 Esta aula começou pela discussão do que é que cada grupo do PHILIPS 66 tinha definido sobre o valor formativo da Geografia, ou seja, para que serve o ensino da Geografia.  Explicando um pouco primeiro o que é que é o PHILIPS 66:


Perante isto o meu grupo fez um pequeno texto no qual explicávamos o Tema em cima referido:


No valor formativo da Geografia existe vários conhecimentos, capacidades e atitudes importantes. No caso dos conhecimentos destaca-se o conhecimento sobre o nosso território; entender a diferença entre Geografia Humana e Física; pensar local agir global; conhecimento de conceitos cartográficos e tecnológicos e a consciência para os problemas urbanos e ambientais.

Por outro lado, as capacidades e atitudes, consiste em saber aplicar bem os conceitos tecnológicos, geográficos e cartográficos; saber identificar e localizar os fenómenos (humanos e físicos) e entender a relação do ser humano com o meio ambiente. Também é importante saber ler mapas; ter pensamento crítico e criativo; observar e ter cidadania territorial.

A Geografia é uma ciência da terra que tem por base a formação dos alunos, abordando diferentes temáticas e conteúdos e onde conseguimos aplicar a teoria na prática.

Valor formativo da Geografia (capacidades, atitudes e conhecimentos):

Em termos gerais os outros grupos tiveram algumas ideias em comum connosco e também tiveram ideias diferentes tais como o desenvolvimento de competências de relação e interpretação do mundo, do pensamento crítico e criativo, da cidadania ativa e da cidadania territorial. Por outro lado, temos de ter consciência para identificar os problemas, os conceitos geográficos e os fenómenos humanos e físicos. Também temos de conseguir entender a relação entre os humanos e ambiente assim como conhecer o nosso território. Por fim, mas diria eu um dos mais importantes, pensar local e agir global, assim como, saber resolver os problemas a uma escala local e global.

Tendo em conta o que foi escrito em cima (sobre o valor formativo da Geografia) temos de perceber que o desenvolvimento da cidadania a disciplina da Geografia é bastante importante:

Numa primeira instância temos que observar o tal global/local onde para além das escalas que foram referidas no parágrafo acima temos também que pensar nas escalas europeia e nacional

Por outro lado, a cidadania é uma postura que perante os nossos valores formam uma atitude

A cidadania preocupa-se então com o desenvolvimento das atitudes

Por exemplo ter um pensamento crítico é uma atitude, mas ao mesmo tempo é uma capacidade. O pensamento crítico faz-nos olhar para a realidade de uma forma crítica e tem a ver com uma atitude da forma como se olha para a realidade. Uma outra forma de explicar é que nós podemos ter a capacidade de ter um pensamento crítico, mas se não termos a atitude de pensamento crítico de nada nos serve. Ou seja, a observação e acima de tudo uma capacidade, porém também é uma atitude, pois é preciso que disposição para observar. Se não tivermos a disposição para observar, não íamos observar nada, ou seja, podíamos ter a capacidade, mas se não tivéssemos a atitude não nos valia a pena. Na realidade isto tem tudo a ver com o olhar crítico.


Observação:

Tendo em conta a última frase dita o observar é realmente na Geografia bastante importante podemos ver no auditório Orlando Ribeiro (IGOT) que na parede principal temos um olho que ficou marcado pelo professor Orlando Ribeiro que pediu aos seus alunos que desenhassem o olho estando assim ligado à observação, especialmente a observação direta. Observar é assim também uma atitude e uma capacidade. Claro que não nos podemos esquecer que para observar uma paisagem temos também de ter conhecimentos para observar. Resumindo capacidade de observar é bastante importante e consiste na descrição da paisagem. É preciso sempre lembrar que as capacidades repousam sobre os conhecimentos.

Falando agora um pouco do professor Orlando Ribeiro este privilegiava a observação direta, ou seja, o ir aos locais e observar a paisagem é essencial uma vez que ele era defensor da Geografia regional francesa (possibilismo) sendo assim estudavam os fenómenos físicos e humanos.

Já na corrente da Nova Geografia (ou Geografia Quantitativa) no qual o professor Jorge Gaspar ajuda a mudar a perspetiva devido com a sua tese de doutoramento em 1972 (sobre a área de influência de Évora onde aqui se utilizam dados e menos descrição da paisagem) que dá uma rutura com o possibilismo. Nesta corrente mostra que é necessário ir além da observação para se conhecer o território, ou seja, é privilegiada a observação indireta (leitura de gráficos, documentos, fotos, etc) temos de perceber os dados estatísticos (como o PIB, população, etc) e não apenas observar a paisagem. Ou seja, temos de observar aquilo que é invisível. Resumindo então na nova Geografia dá-se mais importância aos dados e a estatística e dá-se menor valorização ao olhar.


Conhecimento da Geografia:

Como já sabemos Geografia é ciência da Terra. Geografia = Geo (Terra) + Grafia (Escrita) = Descrição da Terra

Geografia estuda a inter-relação (relações) entre os fenómenos físicos e humanos à superfície da Terra e a diferentes escalas, ou seja, a Geografia estuda se em várias escalas (conceito importante). A Geografia também estuda as grandes divisões (e suas características) do planeta e das comunidades que nelas habitam (as populações) assim como as relações entre as populações nos vários territórios. Assim como a relação das pessoas com o ecossistema. De uma forma resumida o que foi dito anteriormente a Geografia estuda as principais características dos territórios e quem neles habitam. Sendo assim o estudo da Geografia é uma janela sobre o mundo. Uma vez que a COP Egito aconteceu há relativamente pouco tempo é importante afirmar que as questões sobre a sustentabilidade devem mobilizar os geógrafos.

Compreensão Internacional:

A educação geográfica deve promover a utilização de elementos tecnológicos como o SIG que voltando um pouco atrás são tanto uma capacidade (sobretudo) como também uma atitude. voltamos à ideia de que podemos saber fazer mapas (capacidade) mas se não temos vontade (atitude) pouco interessa se sabemos fazer.

Educação geográfica e deve também promover a Compreensão Internacional. Explicando isto um pouco melhor após a Segunda Guerra Mundial a UNESCO promove projetos de compreensão Internacional e chama a Geografia para esses projetos. Sendo assim a Geografia pretende desenvolver atitudes de aceitação e de tolerância entre os povos. Por outras palavras pretende se aceitar a diversidade como normal (de outros povos e culturas) tendo assim uma atitude de tolerância/aceitação que deve ser promovida pela educação geográfica. Uma prova que a Geografia consegue promover a aceitação é que quem tem contato com outras realidades, através da Geografia, mais facilmente desenvolve a aceitação do que os outros que não contactem com realidades diferentes. Ou seja, a Geografia promove o conhecimento de outros povos e o conhecimento de outros povos promove a atitude de aceitação.
A educação geográfica promove a compreensão Internacional ao promover o conhecimento de outros povos/culturas e das realidades e do meio em que se desenvolvem (ambiente/sociedades) ao fazê-lo promove a tolerância. Enquanto conhecimento, esse conhecimento contribui para atitudes de aceitação.

A Geografia tem um papel importante no papel da compreensão Internacional onde esta ajuda a conhecer outras realidades e a tolerância desses povos e culturas.


Sumário:

O Valor Formativo da Geografia

Uma disciplina que promove a compreensão internacional


sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Curiosidade - Formação de professores de Geografia na Universidade de Lisboa

 No dia 4 de novembro de 1987 foi legislada a Portaria 852/87 que permito a criação dos cursos de formação de professores. Hoje faz exatamente 35 anos de formação de professores de Geografia na Universidade de Lisboa, uma data tão especial para qualquer antigo ou atual aluno num Mestrado em Ensino. Sendo aluno do Mestrado em Ensino da Geografia não poderia deixar de partilhar esta data no meu blog! São muitos anos que a Universidade de Lisboa tem formado vários professores e muitos mais vão ser formados e sinto-me orgulhoso de disser que serei um deles! Um agradecimento antecipado aos meus futuros orientadores e formadores assim como aos meus professores de Mestrado por tudo o que tem feito pelo ensino da Geografia em Portugal! Um especial agradecimento ao Professor Sérgio Claudino por todo o que tem feito pela Geografia e pelo ensino da mesma.






quinta-feira, 3 de novembro de 2022

7ª Sessão - Critica ao Modelo de transposição didática/ Geografia Local/ PHILLIPS 66 - O valor formativo

 Esta aula foi dividida em três grandes partes. Na primeira parte voltamos a pegar no modelo da transposição didática onde este é criticado por não se centrar no aluno. Na segunda parte falámos dE Coménio ou a Geografia Local. E por fim tivemos uma atividade em grupo PHILLISPS 66 de onde falámos sobre o valor formativo da Geografia, ou seja, para que serve o ensino da Geografia.

Antes de qualquer um dos conteúdos referidos no parágrafo anterior ter sido tratados, começamos primeiro, no início da aula por discutir se concordávamos ou não com uma frase de Rodríguez-Lestegás, Macía-Arce, Armas-Quintá (2017) que é a seguinte: 

"Tanto la geografía científica (que se produce y difunde) como la geografia escolar (que se enseña y aprende), manejan información de muy diversa naturaleza, cuyo tratamiento exige, además, la utilización de distintos procedimentos e técnicas."

Em português:

 “tanto a Geografia científica (que se produz e difunde) como a Geografia escolar (que se ensina e aprende) utilização a informação de muitas diversas formas, cujo tratamento exige, além disso a utilização de procedimentos e técnicas distintas”. 

Conforme discutido em sessões anteriores, por razões óbvias, nós não podemos concordar com esta frase uma vez que estamos a separar a Geografia científica, da escolar ou seja caímos na ideia errónea de dizer que a Geografia escolar não é uma ciência. Mas como vimos em posts anteriores, neste blog, ensinar Geografia é uma ciência aliás, basta só olhar para o post anterior onde eu falo sobre a transposição didática. Deste modo não devemos aceitar esta afirmação. Uma coisa que é verdade, é que existe uma grande falta de investigação no ensino, aliás na prática de ensino, normalmente em vez de se relacionarem às aprendizagens (porque relacionar é compreender) dos alunos faz-se apenas uma descrição do que os professores lecionaram e não devia ser assim. Em tese poderemos até dizer em vez de Geografia científica e Geografia escolar dizer Geografia académica e Geografia escolar, que do meu ponto de vista até estaria mais correto, porém continuaria a não concordar com a afirmação em cima referida, uma vez que com essa afirmação iríamos induzir, que a formação dos professores não é académica, o que é um erro.  Uma prova de que a afirmação não é correta, é que a principal forma de socialização da Geografia é realizada e efetuada, através da escola.

Crítica ao Modelo de transposição didática

Falando agora, da crítica ao modelo da transposição didática irei recordar, de uma forma rápida o que é que este modelo:


Figura 1 - Transposição didática

Sendo assim, o que nós podemos ver no modelo acima identificado, é a transformação do conhecimento, até chegar ao aluno. É com o aluno, que nós temos o contato mais direto com os manuais e os testamos. A título exemplificativo da evolução histórica, a primeira vez que se falou em Portugal de manuais escolares, deu-se com o aparecimento de um manual de Geografia escolar, com o conceito de Portugal Continental, em 1850, escrito por João Félix Pereira, o mesmo conseguiu assim criar um conceito que ganhou consagração académica e epistemológica. Apesar de atualmente usar se mais o termo Continente. Este conceito vai-se difundir tanto pelos programas como pela Noosfera. Ainda sobre o modelo acima ilustrado, é preciso ter em atenção, que normalmente na seleção dos manuais as editoras têm uma preferência pelos professores que lecionam, ou seja, que consigam escrever os manuais, tendo por base a sua própria experiência.

Helena Copetti Callai, assim como outros autores fazem uma crítica ao modelo da transposição didática. Esta crítica relaciona-se com o seguinte pressuposto: se de facto a escola existe para e por causa do aluno, então com este modelo, parece que a construção escolar não repousa no aluno, mas sim no conhecimento científico, ou seja, o centro das aprendizagens são os alunos, mas no esquema o aluno parece que é apenas um consumidor e não um inspirador do currículo como devia ser. Dizendo por outras palavras, efetivamente aquilo que se ensina aos alunos tem por base o conhecimento académico, mas aquilo que deve recair nos conteúdos escolares são os interesses dos alunos (se é feito para os alunos, então deve ter em conta os alunos). O grande problema deste modelo é exatamente este, o centro das aprendizagens não está nos alunos, ou seja, o aluno não é um ator na transposição de conhecimento.

Coménio ou Geografia Local

Juan Amós Coménio (1552 – 1670) era um bispo no país que se chama atualmente Chéquia e fazia parte da igreja reformada (protestante) sendo assim ele escreveu a didática magna (1628-1632), no qual ele diz que didática é a arte de ensinar tudo a todos. Isto aconteceu exatamente porque a igreja reformada era uma nova religião, que tinha novos ensinamentos, novos códigos, novos conhecimentos, que tinham de ser transmitidos às multidões, ou seja, tinha que se difundir a sua Mensagem. Percebemos então que isto é um conceito da época moderna, uma vez que na modernidade temos o ensino de massas, onde todos são iguais e aprendem da mesma forma e ao mesmo ritmo. Na época pós-moderna é que nós vemos, que cada um vai em direções diferentes, ou seja, todos são diferentes, cada pessoa tem o seu ritmo e tem interesses diferentes.

Coménio é conhecido por ser o pai da Geografia local, também conhecida como a Escola Materna onde se incluí a Geografia e que faz parte do currículo e que dá as bases geográficas. Este autor, diz que a criança aprende os primórdios da Geografia, quando começa a entender o que é o Monte, um vale, um campo, um Rio, uma aldeia, um castelo, uma cidade, segundo as ocasiões que lhe oferece o lugar onde é educada. (Coménio [1657] (2015), p. 416) (através da observação)

PHILLIPS 66 - O valor formativo

No final da aula fizemos uma atividade a PHILLIPS 66 no qual tínhamos que discutir em grupo qual era o valor formativo da Geografia, ou seja, para que serve o ensino da Geografia. com o nosso grupo de base discutimos primeiro então o que nós achávamos quais é que os conhecimentos e as capacidades e as atitudes, seguinte depois uma troca onde iríamos discutir com membros de outros grupos como tinha sido a discussão dos mesmos. voltávamos depois ao nosso grupo original e criávamos um pequeno texto perante a informação que tínhamos:


Qual o valor formativo da Geografia?

No valor formativo da Geografia existe vários conhecimentos, capacidades e atitudes importantes. No caso dos conhecimentos destaca-se o conhecimento sobre o nosso território; entender a diferença entre Geografia Humana e Física; pensar local agir global; conhecimento de conceitos cartográficos e tecnológicos e a consciência para os problemas urbanos e ambientais.
Por outro lado, as capacidades e atitudes, consiste em saber aplicar bem os conceitos tecnológicos, geográficos e cartográficos; saber identificar e localizar os fenómenos (humanos e físicos) e entender a relação do ser humano com o meio ambiente. Também é importante saber ler mapas; ter pensamento crítico e criativo; observar e ter cidadania territorial.


A Geografia é uma ciência da terra que tem por base a formação dos alunos, abordando diferentes temáticas e conteúdos e onde conseguimos aplicar a teoria na prática.


Notas relevantes:

Fugindo agora um pouco para a atualidade em Portugal temos o PASEO 2017 onde o conhecimento científico e tecnológico desenvolve-se a um ritmo intenso.

As competências são uma combinação complexa dos conhecimentos, das capacidades e das atitudes.

Em pleno século XXI podemos observar, que as mudanças na educação são conforme o partido político que governa a nação em cada momento e que também, temos o ensino por competências que é recuperado. Sendo assim as competências, não são só capacidades, mas sim um conjunto de conhecimentos, atitudes e capacidades.

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Notícia - Professores deram "lição a ministro que é governante há seis anos"

Não passou nem um mês desde que falei do protesto que os professores fizeram no Dia Mundial do Professor para hoje ter lido uma notícia onde, como tem acontecido nos últimos anos, os sindicatos (como a Fenprof) dos professores organizaram uma greve que fechou 378 escolas das 853 escolas públicas que existem. Adesão global rondou os 80%, mas mais de 90% dos educadores de infância e professores do 1.º ciclo aderiram aos protestos.

Sendo aluno do Mestrado em Ensino em Geografia esta notícia não me possou ao lado pois uma vez os professores voltam a rua para pedir respeito do Governo. A adesão a grave foi bastante forte, algo que já há muitos anos não acontecia, com isto os professores querem transmitir uma mensagem forte a população e ao Governo, se não respeitarem e valorizarem os professores vamos ter cada vez menos qualificados.

Todo isto pois os problemas que existem na profissão tal como a precariedade, o congelamento do tempo de serviço, o congelamento das progressões, a aposentação e os horários, mas também problemas mais recentes como o crescimento dos professores não profissionalizados nas escolas não tem tido uma resposta eficaz do Governo. O Governo tem de começar a dar respostas a estes problemas pois hoje foi apenas o primeiro dia de luta!

Sem dúvida que os professores deram uma lição não só ao Governo como também ao ministro que governa já a seis anos.


Será que desta vez que a minha futura profissão voltar a ganhar a dignidade que merece? Ou voltaremos ao mesmo?


Figura 1 - Greve dos Professor
Fonte: Sic Notícias

Fonte:

Sic Notícias, 2022. 2 de novembro: Professores deram "lição a ministro que é governante há seis anos" [online] Disponível em: <https://sicnoticias.pt/pais/2022-11-02-Professores-deram-licao-a-ministro-que-e-governante-ha-seis-anos-be0c6ec0> [Acessado dia 2 de novembro de 2022].



Conclusões da UC

  Com o semestre quase a acabar, também  chegamos ao fim da UC “Didática da Geografia”, faltando apenas a entregar do trabalho de grupo. Foi...