quinta-feira, 3 de novembro de 2022

7ª Sessão - Critica ao Modelo de transposição didática/ Geografia Local/ PHILLIPS 66 - O valor formativo

 Esta aula foi dividida em três grandes partes. Na primeira parte voltamos a pegar no modelo da transposição didática onde este é criticado por não se centrar no aluno. Na segunda parte falámos dE Coménio ou a Geografia Local. E por fim tivemos uma atividade em grupo PHILLISPS 66 de onde falámos sobre o valor formativo da Geografia, ou seja, para que serve o ensino da Geografia.

Antes de qualquer um dos conteúdos referidos no parágrafo anterior ter sido tratados, começamos primeiro, no início da aula por discutir se concordávamos ou não com uma frase de Rodríguez-Lestegás, Macía-Arce, Armas-Quintá (2017) que é a seguinte: 

"Tanto la geografía científica (que se produce y difunde) como la geografia escolar (que se enseña y aprende), manejan información de muy diversa naturaleza, cuyo tratamiento exige, además, la utilización de distintos procedimentos e técnicas."

Em português:

 “tanto a Geografia científica (que se produz e difunde) como a Geografia escolar (que se ensina e aprende) utilização a informação de muitas diversas formas, cujo tratamento exige, além disso a utilização de procedimentos e técnicas distintas”. 

Conforme discutido em sessões anteriores, por razões óbvias, nós não podemos concordar com esta frase uma vez que estamos a separar a Geografia científica, da escolar ou seja caímos na ideia errónea de dizer que a Geografia escolar não é uma ciência. Mas como vimos em posts anteriores, neste blog, ensinar Geografia é uma ciência aliás, basta só olhar para o post anterior onde eu falo sobre a transposição didática. Deste modo não devemos aceitar esta afirmação. Uma coisa que é verdade, é que existe uma grande falta de investigação no ensino, aliás na prática de ensino, normalmente em vez de se relacionarem às aprendizagens (porque relacionar é compreender) dos alunos faz-se apenas uma descrição do que os professores lecionaram e não devia ser assim. Em tese poderemos até dizer em vez de Geografia científica e Geografia escolar dizer Geografia académica e Geografia escolar, que do meu ponto de vista até estaria mais correto, porém continuaria a não concordar com a afirmação em cima referida, uma vez que com essa afirmação iríamos induzir, que a formação dos professores não é académica, o que é um erro.  Uma prova de que a afirmação não é correta, é que a principal forma de socialização da Geografia é realizada e efetuada, através da escola.

Crítica ao Modelo de transposição didática

Falando agora, da crítica ao modelo da transposição didática irei recordar, de uma forma rápida o que é que este modelo:


Figura 1 - Transposição didática

Sendo assim, o que nós podemos ver no modelo acima identificado, é a transformação do conhecimento, até chegar ao aluno. É com o aluno, que nós temos o contato mais direto com os manuais e os testamos. A título exemplificativo da evolução histórica, a primeira vez que se falou em Portugal de manuais escolares, deu-se com o aparecimento de um manual de Geografia escolar, com o conceito de Portugal Continental, em 1850, escrito por João Félix Pereira, o mesmo conseguiu assim criar um conceito que ganhou consagração académica e epistemológica. Apesar de atualmente usar se mais o termo Continente. Este conceito vai-se difundir tanto pelos programas como pela Noosfera. Ainda sobre o modelo acima ilustrado, é preciso ter em atenção, que normalmente na seleção dos manuais as editoras têm uma preferência pelos professores que lecionam, ou seja, que consigam escrever os manuais, tendo por base a sua própria experiência.

Helena Copetti Callai, assim como outros autores fazem uma crítica ao modelo da transposição didática. Esta crítica relaciona-se com o seguinte pressuposto: se de facto a escola existe para e por causa do aluno, então com este modelo, parece que a construção escolar não repousa no aluno, mas sim no conhecimento científico, ou seja, o centro das aprendizagens são os alunos, mas no esquema o aluno parece que é apenas um consumidor e não um inspirador do currículo como devia ser. Dizendo por outras palavras, efetivamente aquilo que se ensina aos alunos tem por base o conhecimento académico, mas aquilo que deve recair nos conteúdos escolares são os interesses dos alunos (se é feito para os alunos, então deve ter em conta os alunos). O grande problema deste modelo é exatamente este, o centro das aprendizagens não está nos alunos, ou seja, o aluno não é um ator na transposição de conhecimento.

Coménio ou Geografia Local

Juan Amós Coménio (1552 – 1670) era um bispo no país que se chama atualmente Chéquia e fazia parte da igreja reformada (protestante) sendo assim ele escreveu a didática magna (1628-1632), no qual ele diz que didática é a arte de ensinar tudo a todos. Isto aconteceu exatamente porque a igreja reformada era uma nova religião, que tinha novos ensinamentos, novos códigos, novos conhecimentos, que tinham de ser transmitidos às multidões, ou seja, tinha que se difundir a sua Mensagem. Percebemos então que isto é um conceito da época moderna, uma vez que na modernidade temos o ensino de massas, onde todos são iguais e aprendem da mesma forma e ao mesmo ritmo. Na época pós-moderna é que nós vemos, que cada um vai em direções diferentes, ou seja, todos são diferentes, cada pessoa tem o seu ritmo e tem interesses diferentes.

Coménio é conhecido por ser o pai da Geografia local, também conhecida como a Escola Materna onde se incluí a Geografia e que faz parte do currículo e que dá as bases geográficas. Este autor, diz que a criança aprende os primórdios da Geografia, quando começa a entender o que é o Monte, um vale, um campo, um Rio, uma aldeia, um castelo, uma cidade, segundo as ocasiões que lhe oferece o lugar onde é educada. (Coménio [1657] (2015), p. 416) (através da observação)

PHILLIPS 66 - O valor formativo

No final da aula fizemos uma atividade a PHILLIPS 66 no qual tínhamos que discutir em grupo qual era o valor formativo da Geografia, ou seja, para que serve o ensino da Geografia. com o nosso grupo de base discutimos primeiro então o que nós achávamos quais é que os conhecimentos e as capacidades e as atitudes, seguinte depois uma troca onde iríamos discutir com membros de outros grupos como tinha sido a discussão dos mesmos. voltávamos depois ao nosso grupo original e criávamos um pequeno texto perante a informação que tínhamos:


Qual o valor formativo da Geografia?

No valor formativo da Geografia existe vários conhecimentos, capacidades e atitudes importantes. No caso dos conhecimentos destaca-se o conhecimento sobre o nosso território; entender a diferença entre Geografia Humana e Física; pensar local agir global; conhecimento de conceitos cartográficos e tecnológicos e a consciência para os problemas urbanos e ambientais.
Por outro lado, as capacidades e atitudes, consiste em saber aplicar bem os conceitos tecnológicos, geográficos e cartográficos; saber identificar e localizar os fenómenos (humanos e físicos) e entender a relação do ser humano com o meio ambiente. Também é importante saber ler mapas; ter pensamento crítico e criativo; observar e ter cidadania territorial.


A Geografia é uma ciência da terra que tem por base a formação dos alunos, abordando diferentes temáticas e conteúdos e onde conseguimos aplicar a teoria na prática.


Notas relevantes:

Fugindo agora um pouco para a atualidade em Portugal temos o PASEO 2017 onde o conhecimento científico e tecnológico desenvolve-se a um ritmo intenso.

As competências são uma combinação complexa dos conhecimentos, das capacidades e das atitudes.

Em pleno século XXI podemos observar, que as mudanças na educação são conforme o partido político que governa a nação em cada momento e que também, temos o ensino por competências que é recuperado. Sendo assim as competências, não são só capacidades, mas sim um conjunto de conhecimentos, atitudes e capacidades.

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