sábado, 29 de outubro de 2022

Evento - Construção de mapas temáticos em excel (ACD)

No dia 28 de outubro participei numa ação de curta duração (ACD) de 3 horas que me apareceu no Facebook. Esta formação foi uma parceria entre a Associação dos Professores de Geografia (APROFGEO) e a Associação Portuguesa de Geógrafos (APG). Esta ACD foi sobre a construção de mapas em excel. Esta ação foi dada pelo Professor Doutor Pedro Chamusca | Doutor em Geografia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, qualificado profissionalmente em Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e formador acreditado pelo Conselho Científico-Pedagógico de Formação Contínua e pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional. É também o Presidente da Associação Portuguesa de Geógrafos.

Esta ACD foi dividida em duas partes. Na primeira parte o Professor Doutor Pedro Chamusca monstro nos uma apresentação que estava estruturada em três grandes temas:

1. Sig e representações cartográficas

2. Dados e mapas: conceitos e regras básicas

3. Cartografia temática no Excel

Explicando melhor, no primeiro ponto falamos sobre como funcionam os SIG? e para que servem os SIG? No segundo ponto falamos sobre que tipos de mapas e dados existem e como estes podem ser bem representados. Tanto que tivemos um exercício para descobrir os erros do mapa. Também falamos sobre como podemos definir a informação relevante e identificar as bases de dados. Assim como as questões exploratórias (responde às perguntas O Quê? Quando? Onde? e Quem?) e as questões explicativas (responde às perguntas Como? e Porquê?). E por fim, no terceiro ponto onde falamos sobre como construir os mapas temáticos no excel. O primeiro passo temos de criar uma base de dados, depois geramos mapas e por fim gerir a apresentação da informação.

Na segunda parte da aula juntamos-mos em grupos de cinco (aleatoriamente) e tivemos de realizar atividades relacionadas com a fabricação de mapas. Após isto tivemos que apresentar os nossos mapas.

Esta ação foi bastante importante pois permitiu me aprender algo que desconhecia e que futuramente poderei usar tanto nas aulas como em trabalhos.

Figura 1 - Certificado da ação de curta duração




quinta-feira, 27 de outubro de 2022

6ªSessão/texto - Recontextualizing Geography in Education

 O texto Recontextualizing Geography in Education é posterior ao texto que nós falamos na 5ªsessão sendo assim este fala sobre como o termo conhecimento poderoso (CP) é precisa ser usado com cuidado.

O texto continua e refere que "a aquisição de conhecimento" tem sido fortemente criticada por uma moda de argumentos construtivistas na educação, que frequentemente descrevem a aquisição como um processo passivo, implicando um modelo simplista de aprendizagem. Os autores do texto afirmam não assumem uma conceção estreita de 'aquisição', como se as mentes fossem embarcações vazias simplesmente para serem preenchidas com factos. Sendo assim a aquisição de conhecimento ocorre quando o aluno tem um envolvimento ativo com dados de todos os tipos e é facilitado por ser introduzido a novas ideias e "formas de ver".

Na sua famosa volte face Michael Young passou de defender o que ele considerava ser o “conhecimento dos poderosos” para defender o conhecimento poderoso, ou seja, este estimula um debate saudável sobre o que é que constitui um reconhecimento poderoso em temas como a Geografia. Sendo assim é preciso distinguir que conhecimento dos poderosos é diferente do conhecimento poderoso. O conhecimento dos poderosos acaba por ser uma crítica marxista que apareceu com a nova sociologia da educação nos anos 70 na escola inglesa onde o conhecimento académico era um instrumento de dominação de classes, ou seja, os mais poderosos controlavam os menos poderosos, porém quem não tinha acesso à educação ficava mais marginalizado. Ou seja, se os alunos não aprendem estes são marginalizados. Foi com este pensamento que Michael Young teve o seu volte face.

Triângulo Didático:

O Triângulo Didático tenta ilustrar a relação entre os três subsistis fundamentais do encontro educativo o professor, o conteúdo do sujeito, e os alunos – e para mostrar como são enquadrados tanto pela escola como por contextos sociais mais amplos. Cabe ao professor, dentro do modelo, selecionar e representar o conteúdo do assunto através da relação pedagógica, enquanto os alunos trazem as suas experiências para suportar esse conteúdo através da relação didática. A aprendizagem ocorre através das interações em sala de aula entre alunos e professores, das quais os alunos fazem sentido e desenvolvem relações inferenciais entre os diferentes aspetos do conhecimento com que se envolvem. De uma forma mais simples para explicar as relações entre os mediadores do processo:
  • Entre o conteúdo e o professor temos as representações que é a leitura que os professores fazem dos conteúdos, ou seja, cada um dos professores tem a sua própria leitura.
  • Entre os alunos e os professores temos a interação que é assim a relação pedagógica.
  • E por fim entre os estudantes e o conteúdo temos a experiência que é a leitura que os alunos fazem ao conteúdo e é medida pela experiência, ou seja, ter ou não vivências com a realidade estudada faz parte da experiência.

Figura 1 - Triângulo Didatico
Fonte: Fargher et al 2021

Transposição didática 

Veio da escola francesa e foi criado por Yves Cjevallard, um matemático em 1985, foi transporto para Geografia pela geografa Marsie Clary.

Num sentido simples, a geografia ensinada nas escolas permite aos alunos "aprender e refletir sobre os aspetos do mundo". Isto requer, em parte, a recontextualização do conhecimento criado nas universidades numa forma adequada educativamente. Em cada fase da recontextualização ocorre uma transformação do conhecimento geográfico e, naturalmente, o processo de transformação ainda não está completo sem compreender plenamente a própria sala de aula como um espaço dinâmico. Assim, o processo de recontextualização é um processo de enorme complexidade a vários níveis.

O conjunto de transformações que o conhecimento científico sofre até ser conhecido como com conhecimento escolar:



Figura 2 - Transposição Didática
Fonte: Ideias de Professor Sérgio Claudino; Fabrico próprio

Fora deste processo temos ainda os alunos onde cada um interpreta como quer, ou seja, cada um faz a sua reinterpretação do conhecimento aprendido lembrar também que a transposição didática temos a parte externa e interna. A externa é entre a Noosfera e os Conteúdos, a interna é entre os Conteúdos e os Professores.
Sendo assim os alunos ganham aprendizagens que é nada mais, nada menos que os conhecimentos adquiridos (ou seja, aquilo que os alunos aprendem). As competências não passam de um conjunto de conhecimentos, capacidades (skills) e atitudes mobilizadas no processo de aprendizagem.


Nota: é preciso ter em conta que, por exemplo, ter a capacidade (técnica) de observar ≠ ter a atitude de observar

Sumário: A recontextualização na educação geográfica ou processo de transposição didática como conjunto de transformações do conhecimento científico em conhecimento vinculado aos alunos


terça-feira, 25 de outubro de 2022

Educação Geografia - esquema de síntese para perceber melhor o seu significado


Figura 1 - Significado de Educação Geográfica
Fonte: Fernandes et al., 2016



Figura 2 - Educação Geográfica
Fonte: IGU., 2016

Fonte:

Fernandes, J., Trigal, L. and Sposito, E., (2016). Dicionário de Geografia Aplicada. Terminologia da análise, do planeamento e da gestão do território. Porto Editora.

IGU. 2016 International Charter on Geographical Education. Pequim. Disponível em: https://www.igu-cge.org/2016-charter/

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Texto/5ª Sessão - Geographical education is powerful by Margaret Roberts in 2017

 Para dar uma pequena introdução ao texto vamos começar primeiro por explicar o termo conhecimento poderoso (Powerful knowledge). Este termo foi criado por Michael Young e significa que o tal conhecimento poderoso é produzido a partir da escola, sendo assim, a escola é importante. Este conceito aparece por volta dos anos 2000 numa altura em que se começava a ter um mal estar na escola (desvalorização do conhecimento escolar) uma vez que tem existido um discurso que desvaloriza a escola (discussão do fim da história), dizendo que os alunos não aprendem nada na escola e que aprendem mais na Internet, ou seja, o que é cimento escolar e a escola estão “mortos”. O texto dá uma opinião contrária ao que corre sobre esta desvalorização falando então do realismo crítico que choca exatamente com o discurso da desvalorização da escola. Na minha opinião não só na experiência como aluno como após ler este texto tenho que afirmar que sim a educação geográfica é um conhecimento poderoso, assim como conhecimento escolar.

Introduzindo então agora o texto Geographical education is powerful da Margaret Roberts somos abordados então como já referido anteriormente pelo termo “powerful knowledge” (conhecimento poderoso) de Michael Young onde este diz que é um conhecimento desenvolvido dentro das disciplinas académicas que maior parte dos estudantes não teria acesso se não nas escolas. Margaret Roberts fala em como a educação geográfica pode ser poderosa. Por outras palavras este texto vai demonstrar como indicação geográfica é um conhecimento poderoso.

1… permite aos estudantes fazerem conexões entre o seu conhecimento do “dia a dia” e a Geografia escolar

Vygotsky (1920) fala que há 2 tipos de conhecimento o espontâneo e o científico.

No conhecimento espontâneo os conceitos são relacionados com o desenvolvimento da criança através da experiência, sem instrução. Por sua vez o conhecimento científico os conceitos são relacionados a disciplinas académicas e adquiridas com o apoio de um professor.

Estes 2 conceitos estão estreitamente conectados e ligados:

- Conceitos de disciplinas abstratas adquiridas pelas crianças crescem relacionados aos conceitos do dia a dia

E por sua vez

- As estruturas providenciadas pelos conceitos disciplinares permitem os conceitos do dia a dia das crianças se desenvolverem em direção ao consciente e ao uso deliberado das mesmas

As ideias de Vygotsky têm influenciado a educação no geral e o conhecimento do “dia a dia” tem sido reconhecido como valioso em todas as fases da educação geográfica

No nível primário (Catling and Martin, 2011):

Tanto o conhecimento do dia a dia e o conhecimento disciplinar deviam ser considerados poderosos. O conhecimento do dia a dia não é necessariamente ingénuo e pouco temático, mas que pode ser racional, coerente e estruturado. Estes 2 tipos de conhecimento poderoso (disciplinar e o do dia a dia) são trazidos juntos na sala de aula, onde as crianças podem desenvolver novo conhecimento e entendimento.

No nível secundário (Catling and Martin, 2011):

O conhecimento do dia a dia tem sido uma parte essencial dos projetos de várias associações geográficas (GA – Geographical Associations) como, por exemplo, "Valorizar Lugares" visava desenvolver a compreensão dos estudantes sobre a conexão global, baseando-se nas suas geografias pessoais de lugar.

Estudantes trazem para a escola válidas e importantes conhecimentos baseados NOS seus interesses e nas suas necessidades (The Young People’s Geographies Project).

Um dos três ingredientes-chave no “processo de fazer um currículo” são as “experiências dos estudantes” (segundo a GA).

No nível universitário (Catling and Martin, 2011):

Encorajam os estudantes a fazer conexões entre as suas experiências do dia a dia e o que eles estão a estudar.

O conhecimento do dia a dia é particularmente relevante para o estudo da Geografia:

Primeiro, é um objetivo de estudo e de fonte de informação para alguns geógrafos académicos.

Segundo, os estudantes trazem para a escola algum conhecimento da maior parte dos temas estudados pela Geografia.

Dar aos alunos a oportunidade de conectar os seus conhecimentos do dia a dia com a geografia escolar é poderoso pois respeita o que os alunos já sabem. Valoriza o que podem contribuir para pensar em muitos aspetos da geografia. Ajuda-os também a entender os novos conceitos geográficos e permite que os professores corrigem os mal entendidos que podem interferir na aprendizagem.

2… transformar as formas como os estudantes percebem o mundo

A Geografia escolar leva os estudantes além do seu conhecimento do dia a dia.

Introduzindo os estudantes:

·         A uma diversidade de formas nos quais os geógrafos pensam sobre e investigam o mundo

·         Faz os atentos da posição da natureza do conhecimento geográfico

·         A novos conceitos e teorias

A geografia urbana fornece bons exemplos de diferentes formas pelas quais os geógrafos estudam o mundo e a natureza posicionada do conhecimento geográfico.

Os geógrafos urbanos têm se focado na experiência pessoal de grupos particulares (jovens, deficientes, idosos, …) Para chamarmos a atenção que as pessoas que vivem na cidade não são grupos homogéneos sobre o qual podemos fazer generalizações.

Esta forma de olhar para as cidades é poderosa e contribui para o nosso entendimento.

Apesar das áreas urbanas serem influenciadas, por alguns processos em comum, estes processos afetam de forma diferente no mundo, por exemplo, os geógrafos que estudam as cidades africanas e asiáticas reconhecem que estas têm sido influenciadas por diferentes processos históricos sociais e políticos do que no Ocidente.

- Conhecimento de áreas urbanas produzido por geógrafos que trabalham em contextos norte-americanos europeus

- O nosso conhecimento do mundo parte sempre de um certo ponto de vista ponto. vemos daqui em vez de ali

O conhecimento geográfico está posicionado, influenciado pelas lentes através das quais os geógrafos têm visto o mundo, enquadrados pelas questões a que dão atenção.

Conceitos importantes no pensamento geográfico como a natureza, sustentabilidade, globalização, desenvolvimento, etc, são usados de forma diferente. Os estudantes precisam de encontrar diferentes definições e usos para discutirem o seu significado.

… permite os estudantes de terem atenção aos valores dimensionais das decisões que afetam o local, nacional e o mundo geográfico

Os grandes problemas atuais como as alterações climáticas, garantir os futuros bens de água, comida e energia para a população em crescimento no mundo, o “gap” global entre os mais ricos e os mais pobres e a desigualdade nas trocas mundiais são mais prováveis de serem estudadas na escola geográfica do que noutras áreas.

Os tipos de problemas com que os planeadores lidam, problemas sociais, são inerentemente diferentes dos problemas que os cientistas ... lidar com. Os problemas de planeamento são inerentemente “perversos”.

Os "problemas perversos" (Wicked problems) tem as seguintes características:

         Não existe formulação definitiva de um problema “perverso”.

         Todos os problemas “perversos” são essencialmente únicos.

         Todos os problemas “perversos” podem ser considerados um sintoma de outro problema.

         As soluções para problemas “perversos” não são verdadeiros ou falsos, mas boas ou más.

         Não existe um teste final de solução para um problema “perverso”.

         Não há oportunidade de aprender por tentativa e erro

Os tipos de questões estudadas na geografia escolar, globais, nacionais e locais, partilham as características dos "problemas perversos".

Decisões e possíveis soluções estão relacionadas como o problema é visto. Os problemas são controversos porque as pessoas veem de diferentes formas como devem resolver.

Os estudantes através de atividades podem desenvolver um entendimento melhor de problemas recentes e serem mais críticos na avaliação de argumentos usados contra ou a favor do ponto de vista. Tornam-se mais atentos às dimensões étnicas e começam a ter as suas opiniões. Pensam mais criticamente sobre como os problemas são apresentados no mídia.

Permitir aos estudantes estudarem os valores dimensionais do problema é poderoso pois está relacionado aos seus interesses, pesquisas mostram que pessoas jovens são mais interessadas em problemas que terão impacto no futuro do planeta e nas suas próprias vidas. moroso porque durante a vida deles fora da escola vão-se tornar mais atentos a vários problemas como a dimensão geográfica, vão ser confrontados com argumentos contra e a favor de uma solução particular e vão tornar-se mais atentos às injustiças do mundo. A escala geográfica tem o poder de permitir ou estudantes de pensarem mais claramente sobre os problemas que eles encontram tanto agora como no futuro.

 … estudantes desenvolvem as skills necessárias para lidar com os complexos do conhecimento geográfico e para desenvolverem um entendimento

As habilidades (skills) que os estudantes precisam para perceberem o mundo incluem particularidades associadas à Geografia como a leitura de mapas e SIG, assim como habilidades genéricas relacionadas à investigação (figura 1) e o pensamento crítico.

Figura 1: Competências que podem ser desenvolvidas em geografia escolar

Fonte: Roberts 2017

 

Apesar de as habilidades de investigação poderem ser adquiridas/desenvolvidas noutras matérias, a escola geográfica que consegue fazer maiores contributos para o seu desenvolvimento devido ao leque de questões faladas, com várias fontes de informação presentes em diferentes formatos, às vezes diferentes pontos de vista, e o uso de diferentes técnicas de análise e interpretação.

Tudo o que é estudado na Geografia na sala e no campo requer o uso de algumas habilidades.

O documento do currículo e os planos de lição devem identificar oportunidades para os estudantes desenvolverem habilidades que são relevantes para o que eles estão a estudar para então se tornarem competentes no seu uso.

Se bem desenvolvidas na sala de aula e no campo, as competências de investigação incorporam competências de pensamento crítico que enfatizam o rigor, questionam e não tomam algo pelo valor facial.

As habilidades são poderosas pois permitem os estudantes de interrogarem, analisarem e interpretarem a informação. São poderosas pois usando-as, os estudantes desenvolvem entendimento crítico de como o conhecimento geográfico é construído e representado.

Isto deve permitir-lhes dar mais sentido às representações do mundo que encontram não só na geografia escolar, mas também no seu dia a dia.

… estudantes tomam uma parte ativa na aprendizagem

Se a educação geográfica é tão poderosa, então isso exige uma poderosa pedagogia. A pedagogia é influenciada pelo que são considerados os propósitos da educação e pelas ideias sobre a aprendizagem. Os principais objetivos da educação geográfica são permitir que os alunos pensem geograficamente e desenvolvam uma compreensão crítica do mundo.

Os estudantes precisam de estarem ativamente dentro da construção do conhecimento e que isto possa ser alcançado através do uso da investigação e falarem em salas de aulas.

Ensinar através do diálogo requer uma mudança na cultura da sala de aulas. Invés do professor falar ser o dominante, os alunos são encorajados a participarem na discussão.

Para que a educação geográfica seja poderosa, então a cultura da sala de aula precisa de valorizar uma abordagem curiosa da aprendizagem e do envolvimento dos alunos em atividades propositadas, discussão e questionamento crítico.

Conclusão

A educação geográfica é poderosa se valoriza o conhecimento quotidiano dos alunos, permite-lhes ver o mundo de diferentes maneiras, faz com que eles percebam a natureza carregada de valor das questões estudadas em Geografia e as dota com as competências necessárias para dar sentido ao conhecimento geográfico. Isto depende de uma pedagogia poderosa.


Sumário: Discussão do texto da Margaret Roberts sobre o conhecimento poderoso em Geografia

O conhecimento científico ajuda a enquadrar o conhecimento espontâneo e este ajuda a reconstruir o conhecimento científico

Fonte:

Roberts, M. (2017). Geographical education is powerful if... Teaching geography, 42(1), 6-9.

Data importante - 20 de outubro

Hoje dia 20 de outubro, a cerca de 134 anos atrás, ou seja, em 1888 ocorreu a autonomização do ensino de Geografia em Portugal! 

É preciso lembrar que a 53 anos atrás (em relação a data da autonomização do ensino da Geografia) tinha se dado o nascimento da Geografia, juntamente com à História, nos liceus, pelo Passos Manuel (1835/36).

Foi exatamente nesse ano (1888) que a Geografia ganhou "independência" (automizou-se) da História no secundário pela primeira vez! A razão para isto está bastante ligada (e arrisco-me eu a dizer infelizmente) às preocupações em difundir o império colonial. 

Está autonomia é reclamada pela Sociedade de Geografia dois anos antes (1876) no seu Parecer nº 1.

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

4ª Sessão - Da América e do Festival Internacional de Geografia

 Como breve introdução a aula começou se por falar sobre a reforma de licenciatura em Geografia em 1977 e 78 pelo professor Jorge Gaspar no qual os seus discípulos criaram o IGOT ( a professora Lucinda Fonseca e o professor José Manuel Simões). É o professor Jorge Gaspar que ajuda a implementar a nova Geografia (quantitativa) esta é conhecida como a Geografia dos modelos (estatística aplicada à Geografia) ou seja é sobre pecar e tratar os dados.

Antes deste paradigma tínhamos o possibilismo também conhecido como a Geografia regional francesa de Vidal de la Blache, este paradigma baseava-se de em como é que o ser humano e a natureza se influenciam, ou seja, havia um binómio entre os grupos humanos e a natureza. Era baseada na relação entre os humanos e a natureza e estudava principalmente os espaços rurais. De forma resumida o possibilismo resumo se numa frase, a natureza põe o homem dispõe.

No dia 12 de outubro é o dia da hispanidade e é neste dia pois foi a 12/10/1492 que Cristóvão Colombo descobriu a América enquanto procurava a India uma dessas provas e o facto dos povos nativos americanos serem chamados de índios. Curiosamente percebemos que o continente americano tem este nome devido não a quem descobriu o continente, mas sim a quem percebeu pela primeira vez que era um novo continente e não a Índia como Cristóvão Colombo pensavam. Este homem foi Américo Vespúcio. Um mercador, navegador e geógrafo que aprovisionou as segundas e terceiras viagens de Cristóvão Colombo à América. Em 1501, ao serviço da coroa portuguesa, Vespúcio viaja pela costa brasileira e conclui que está demasiado a sul para estar nas Índias. Américo Vespúcio publica cartas com a sua interpretação e, por 1503/04, em Portugal, “Mundus Novus”, o novo mundo.

Este conhecimento chegara ao Duque de Lorena (França), patrono de Vautrin Lud, que fundara, em Saint-Dié-des-Vosges (figura 1), um “Ginásio”/escola mosteiro, renascentista, onde instalara uma tipografia. Neste Ginásio, encontra-se Martin Waldseemuller (alemão), que em 1507 publica uma edição renovada da “Cosmografia” de Ptolomeu. É nesta publicação que é colocado no mapa, pela primeira vez, o nome de América, (“terra de Américo”) em homenagem ao homem que difundiu ser este um novo continente. Mercator (em 1538) publica o seu primeiro mapa mundial onde volta a usar o nome de Américo” ou “América do Norte”. A partir daqui o nome foi se generalizando.

 


Figura 1 – Saint Dié des Vosges

Fonte: Professor Sérgio Claudino

 Em 1990, em Saint-Dié-Vosges um jovem presidente de Câmara pretende projetar o seu município através de um evento. Isto é conhecido como marketing territorial, ou seja, colocar a cidade no mapa. Uma vez que foi em Saint-Dié onde o novo mundo foi dado o nome de America, pela primeira vez, ajuda a impulsionar a criação de um Festival Internacional de Geografia no qual este o ano Portugal foi o país convidado e o nosso professor Sérgio Claudino marco presença (figura 2). Na segunda edição do Festival é instituído o Prémio Vautrin Lud, conhecido como o “Prémio Nobel da Geografia”.


Figura 2 – Cartaz do Festival Internacional de Geografia

Fonte: Professor Sérgio Claudino

O Professor Antoine Bailly (Fundador do festival da Geografia em França) apoiou o lançamento da Festa da Geografia, em Mirandela (Portugal) entre os anos 2007/2010 (figura 3). A ligação que Miranda tem com a Geografia é que foi nesta cidade que nasceu Luciano Cordeiro o fundador da sociedade de Geografia de Lisboa.

 

Figura 3 – Inauguração da Praça da Geografia

Fonte: Professor Sérgio Claudino


Sumário: O conhecimento produzido na escola (conhecimento poderoso) é importante.

A mudança de paradigma de Geografia possibilista para a nova Geografia (anos 70/Portugal).

o festival da Geografia da cidade onde foi cartografada/batizada a América

Noticia- Os burocratas do ensino

 Nesta notícia, o jornalista José Cabrita Saraiva da sua opinião sobre como alguns setores da educação acaba por complicar o que é simples, ele dá o exemplo das folhas que imprimo para o seu filho de matemática onde havia um enorme palavreado ao qual este ficou com pena dos alunos que tem de saber decorar isto. Continua a disser que não é algo único da matemática esta complicação e palavreado que os alunos têm de saber, mas sim nas outras disciplinas também. Comenta que o palavreado, ou seja, conceitos com palavras complicadas tira tempo as aprendizagens que até podem ser interessantes e tornas mais aborrecidas. Termina dizendo que não é culpa dos professores, mas sim dos que ele apelida de burocratas do ensino que apesar de existirem desde sempre, hoje tem uma maior capacidade de impor as regras que estes querem.

Posso não ser nas áreas faladas no artigo de opinião, mas já foi aluno e conecto me bastante. É da minha opinião que a escola complica matérias que até são bastantes simples de aprender, em todas as disciplinas até mesmo na Geografia podemos ver isso. Por outras palavras, existe sim burocracia nas escolas, arrisco-me a dizer que existe a mais. Esta burocracia acaba por afetar a forma como o conhecimento é passado uma vez que torna o simples em algo complexo e o que poderia ser interessente em algo aborrecido, monótono e até mesmo repetitivo. 


Figura 1 - Mais burocracia, menor a qualidade do ensino
Fonte: Folha de S. Paulo

Fonte:

Saraiva, J., 2022. Os burocratas do ensino. Jornal N, [online] Disponível em: <https://ionline.sapo.pt/artigo/783071/os-burocratas-do-ensino?seccao=Opiniao_i> [Acessado dia 13 de outubro de 2022].

sábado, 8 de outubro de 2022

Encontro - Geoforo y enseña de problemas sociales

Hoje, dia 8 de outubro de 20220, realizou-se, às 16 horas de Lisboa, um encontro organizado pelos Investigadores Iberoamericanos en Educación Geográfica (IIEG), com a participação do Professor Dr. Xosé M. Souto Gonzáles da Universidade de Valência em Espanha, sobre "Geoforo y enseña de problemas sociales". Em seguida farei um pequeno resumo do que aconteceu durante este encontro.

 
Figura 1 - Imagem de abertura da Sessão


Depois de uma breve introdução ao Professor Dr. Xosé M. Souto Gonzáles da Universidade de Valência em Espanha, este começo por mostrar a sua apresentação intitulada de "Síntesis del Geoforo en los anos 2008 e 2021". Nesta apresentação ele monstra os pontos que serão falados (figura 2). Refere também a ligação do IIEG com o "Nós propomos!". Sugere também alguns artigos feitos pelos IIEG que nós podemos ler sobre a dificuldade do pensamento crítico. Fala que como a situação do mundo atual, devido a emergência planetária, é bastante importante ter pensamento crítico e cidadania participativa, primeiro passo para isto seria participar em fóruns para criar uma opinião coletiva fazendo projetos locais que ajudam a desenvolver medidas globais sendo bastante claro no "Nós propomos!" que faz os alunos participarem na política. Resumindo, pensar localmente para agir globalmente.

Figura 2 - Pontos da falados na apresentação do Professor Dr. Xosé M. Souto Gonzáles 


O professor Dr. Xosé M. Souto Gonzáles fala então dos objetivos "del Geoforo", para além do que eu já falei no parágrafo acima (figura 3). Tem se visto um aumento da participação escolar nos fóruns. O mais importante é quem escreve não tanto quem visita. Os fóruns tornam-se um debate académico. Para os debates acontecerem existe uma metodologia de trabalho (figura 4). Volta a referir a importância de que o sistema académico continuar a interagir entre si (nacional e internacionalmente) para assim os fóruns e os projetos continuem assim como a cidadania participativa, especialmente entre os mais novos, tal como o projeto "Nós propomos!"

Figura 3 - Objetivos do Geoforo


Figura 4 - A metodologia de trabalho


Das várias questões feitas ao Professor Dr. Xosé M. Souto Gonzáles, tenho que, obviamente, sublinhar a questão (ou provocação) do nosso caro professor Sérgio Claudino:

​Uma saudação aos organizadores e ao Professor e amigo Souto. Uma questão/provocação: até que ponto se consegue ser neutro se discutimos problemas sociais e ambientais?


A resposta do professor foi que "não, uma pessoa não pode ser neutra perante as injustiças (especialmente se trabalhar essas questões) mas não se pode é ser partidário, ou seja, achar que só existe uma resposta (...)" fala também que temos de acabar com a dicotomia.
Durante a resposta a uma outra questão o professor fez uma afirmação que me chamo bastante a atenção que "a guerra da Ucrânia, não é uma justificação para a crise energética que estamos a passar agora" uma ideia que se calhar passa na cabeça de muita gente.


Para concluir o resumo deste encontro termino com o comentário do professor Odair Ribeiro que pegando nas palavras do nosso professor Sérgio Claudino diz que o Geoforo "é um elemento da rede Iberoamericana de esperança (...)".


Fonte:

Todas as imagens são retiradas da apresentação do Professor Dr. Xosé M. Souto Gonzáles

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Notícia - Geografia é a disciplina com maior escassez de professores

 Como já é conhecimento existe uma grande falta de professores atualmente em Portugal, de forma constante saiam notícias que demonstram isso. Sendo aluno do Mestrando em Ensino da Geográfica não só fico chocado ao ver a grande falta de professores em Portugal como também de saber que Geografia é uma das áreas onde temos maior escassez de professores! 

Numa notícia da TSF (já com cerca de duas semanas) mostra-nos que são poucos os alunos que querem seguir a carreira de professor e preferem ir para outras áreas da Geografia. Uma vez que o curso de Geografia tem imensas saídas profissionais, a carreira de professor é muito pouco atrativa devido aos seus pouco horários e com escalões longos, não tem uma boa renumeração, o mestrado em ensino é caro e o estágio profissional não é renumerado. Para agravar a situação o elevado custo de vida das regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve faz que com o ordenado de um professor não seja suficiente para alugar um quarto nestas áreas. 

Esta situação é extremamente problemática (que monstra os problemas estruturais do ensino em Portugal) que só vai piorar nos próximos anos caso não haja investimento, por parte do governo, nos recursos humanos, mais concretamente, na valorização da carreira dos docentes.


Figura 1 - Sala de aulas
Fonte: Global Imagens 


Fonte:

Fonseca, R. and Quaresma, C., 2022. Há 1968 horários sem professores nas escolas. Geografia é a disciplina com maior escassez. TSF, [online] Disponível em: <https://www.tsf.pt/portugal/sociedade/ha-1968-horarios-sem-professores-nas-escolas-geografia-e-a-disciplina-com-maior-escassez-15177240.html> [Acessado dia 7 de outubro de 2022].

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

3ªSessão - Educação Geográfica

 Nesta sessão primeiro discutimos o que seria "Educação Geográfica" sendo que surgiram várias ideias tais como, faz parte do ensino, matérias como os pontos cordiais, componentes geográficas, a geografia escolar e a geografia adaptada aos alunos. Concluímos então que "Educação Geográfica" são os conhecimentos de base que qualquer pessoa deve ter, ou seja, está diretamente ligada a escola. A ideia é não é criar um especialista em geografia, mas que tenha as noções/conhecimentos básicos da geografia. Uma formação de base que seja útil no dia a dia. 

Simplificando o conceito, "Educação Geográfica" são as aprendizagens fundamentais e essenciais em geografia que qualquer pessoa deve ter, ou seja, aquilo que aprendemos na escola, sendo por isso necessário promover a educação geográfica.

Conhecimento geográfico que aprendemos de forma espontânea não é considerado "Educação Geográfica", ou seja, esta educação é escolar e formal que, como já dito anteriormente, todos devem ter. 


Sumário: A educação geográfica e formação de base em Geografia que todos devem possuir

2ªSessão - Desconstrução do conceito de Didática da Geografia

 Nesta segunda aula da cadeira de Didática da Geografia, falamos sobre a desconstrução do conceito que dá o nome a esta cadeira «didática», que também é uma ciência.

Para perceber melhor o termo Didática da Geografia temos de desconstruir o termo. Geografia acaba por ter duas perspectivas. uma dela é a geografia, que é uma ciência do espaço (espacial/locativa) onde os lugares interferem entre si e, a outra perspectiva, é a da geografia como ciência da terra (ecologia) onde se estuda a relação da comunidade humana com a natureza. Está última é a que mais predomina no ensino escolar.

Por sua vez o termo, didática tem a sua origem etimológica, na palavra dia ou até mesmo de diapositivo, ou seja, esta palavra acaba por ter um sentido de atravessar/comunicar. Está assim associado a clareza, a eficácia e simplicidade da apresentação. Didática é uma ciência que estuda a forma como os alunos aprendem (ou seja, como se aprende) e qual o papel do professor e dos auxiliares de ensino nessa aprendizagem. Explicando numa frase, didática é a ciência que estuda a forma com os alunos aprendem (trata-se de uma área pouco estudada ainda).

A afirmação "Investigação científica e investigação didática" deve ser evitada, pois ao afirmarmos isto, damos a entender que a didática não é uma área científica. O mesmo acontece com os planos de aula, quando existem a divisão entre fundamentação científica, onde se fala sobre os conteúdos e a fundamentação pedagógica, onde são tratadas as estratégias. Quando fazemos está divisão acabamos por disser, que a fundamentação pedagogia e as estratégias não são ciência, o que é errado! Afinal de contas o que tem a ver com o ensino é também uma ciência! Ou seja, uma ciência sobre, como os alunos aprendem e como se mobiliza o seu interesse. 

Didática acaba por ter um carácter mais prático, enquanto pedagógica, está relacionada com a discussão das grandes perspetivas do ensino. Talvez e ao invés de estratégias pedagógicas, devessem ser chamadas de estratégias pedagógico-didáticas.

A título de curiosidade, pedagógica vem da Grécia antiga onde os pedagogos eram tutores escravos, ilustres responsáveis pela educação dos filhos dos senhores.

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Notícia - Dia Mundial do Professor

No dia 5 de outubro (hoje), festeja-se o Dia Mundial do Professor! Sendo aluno do Mestrando em Ensino da Geografia, acho que faz bastante sentido falar um pouco sobre este Dia Mundial que nos afeta! Sendo assim, este dia foi instituído pela UNESCO para mostrar a importância do papel dos professores. Estes são bastante necessários e essenciais para o sucesso das próximas gerações e o desenvolvimento da nossa sociedade.



Figura 1 - Imagem alusiva ao Dia Mundial do Professor
Fonte: Jornal de Mafra

Ironicamente, segundo uma notícia de Público, neste ano (2022) este dia ficou marcado em Portugal, por um protesto que mobilizou vários professores, essencialmente do pré-escolar e do 1ºciclo. O motivo deste protesto foi a discriminação que estes sofrem ao nível da carga letiva e de outros direitos em relação aos professores de outros ciclos. Uma vez que hoje é também em Portugal o Dia da Implementação da Républica, o protestou foi feito após o fim das cerimónias, onde estes professores convidavam os politicos presentes a olharem para os mesmos como pessoas com valor. 


Figura 2 - Protesto no Dia Mundial do Professor
Fonte: Público

Fonte:
Público, 2022. 5 de Outubro: Professores levam luta aos Paços do Concelho e reclamam justiça. [online] Disponível em: <https://www.publico.pt/2022/10/05/sociedade/noticia/5-outubro-professores-levam-luta-pacos-concelho-reclamam-justica-2022933> [Acessado dia 5 de outubro de 2022].

Conclusões da UC

  Com o semestre quase a acabar, também  chegamos ao fim da UC “Didática da Geografia”, faltando apenas a entregar do trabalho de grupo. Foi...