Para dar
uma pequena introdução ao texto vamos começar primeiro por explicar o
termo conhecimento poderoso (Powerful knowledge). Este termo foi criado
por Michael Young e significa que o tal conhecimento poderoso é produzido a
partir da escola, sendo assim, a escola é importante. Este conceito aparece por
volta dos anos 2000 numa altura em que se começava a ter um mal estar na escola
(desvalorização do conhecimento escolar) uma vez que tem existido um discurso
que desvaloriza a escola (discussão do fim da história), dizendo que os alunos
não aprendem nada na escola e que aprendem mais na Internet, ou seja, o que é
cimento escolar e a escola estão “mortos”. O texto dá uma opinião contrária ao
que corre sobre esta desvalorização falando então do realismo crítico que choca
exatamente com o discurso da desvalorização da escola. Na minha opinião não só
na experiência como aluno como após ler este texto tenho que afirmar que sim a educação
geográfica é um conhecimento poderoso, assim como conhecimento escolar.
Introduzindo então agora o texto Geographical
education is powerful da Margaret Roberts somos abordados então como já
referido anteriormente pelo termo “powerful knowledge” (conhecimento
poderoso) de Michael Young onde este diz que é um conhecimento desenvolvido
dentro das disciplinas académicas que maior parte dos estudantes não teria acesso
se não nas escolas. Margaret Roberts fala em como a educação geográfica pode ser
poderosa. Por outras palavras este texto vai demonstrar como indicação
geográfica é um conhecimento poderoso.
1…
permite aos estudantes fazerem conexões entre o seu conhecimento do “dia a dia”
e a Geografia escolar
Vygotsky (1920) fala que há 2 tipos de
conhecimento o espontâneo e o científico.
No
conhecimento espontâneo os conceitos são relacionados com o desenvolvimento da
criança através da experiência, sem instrução. Por sua vez o conhecimento
científico os conceitos são relacionados a disciplinas académicas e adquiridas
com o apoio de um professor.
Estes 2
conceitos estão estreitamente conectados e ligados:
- Conceitos
de disciplinas abstratas adquiridas pelas crianças crescem relacionados aos
conceitos do dia a dia
E por sua
vez
- As
estruturas providenciadas pelos conceitos disciplinares permitem os conceitos
do dia a dia das crianças se desenvolverem em direção ao consciente e ao uso
deliberado das mesmas
As ideias
de Vygotsky têm influenciado a educação no geral e o conhecimento do “dia a dia”
tem sido reconhecido como valioso em todas as fases da educação geográfica
No nível primário
(Catling and Martin, 2011):
Tanto o
conhecimento do dia a dia e o conhecimento disciplinar deviam ser considerados
poderosos. O conhecimento do dia a dia não é necessariamente ingénuo e pouco
temático, mas que pode ser racional, coerente e estruturado. Estes 2 tipos de
conhecimento poderoso (disciplinar e o do dia a dia) são trazidos juntos na
sala de aula, onde as crianças podem desenvolver novo conhecimento e
entendimento.
No nível
secundário (Catling and Martin, 2011):
O conhecimento
do dia a dia tem sido uma parte essencial dos projetos de várias associações
geográficas (GA – Geographical Associations) como, por exemplo, "Valorizar
Lugares" visava desenvolver a compreensão dos estudantes sobre a conexão
global, baseando-se nas suas geografias pessoais de lugar.
Estudantes
trazem para a escola válidas e importantes conhecimentos baseados NOS seus
interesses e nas suas necessidades (The Young People’s Geographies Project).
Um dos
três ingredientes-chave no “processo de fazer um currículo” são as “experiências
dos estudantes” (segundo a GA).
No nível
universitário (Catling and Martin, 2011):
Encorajam
os estudantes a fazer conexões entre as suas experiências do dia a dia e o que
eles estão a estudar.
O
conhecimento do dia a dia é particularmente relevante para o estudo da
Geografia:
Primeiro, é um objetivo de estudo e de
fonte de informação para alguns geógrafos académicos.
Segundo, os estudantes trazem para a
escola algum conhecimento da maior parte dos temas estudados pela Geografia.
Dar aos
alunos a oportunidade de conectar os seus conhecimentos do dia a dia com a
geografia escolar é poderoso pois respeita o que os alunos já sabem. Valoriza o
que podem contribuir para pensar em muitos aspetos da geografia. Ajuda-os também
a entender os novos conceitos geográficos e permite que os professores corrigem
os mal entendidos que podem interferir na aprendizagem.
2…
transformar as formas como os estudantes percebem o mundo
A
Geografia escolar leva os estudantes além do seu conhecimento do dia a dia.
Introduzindo
os estudantes:
·
A
uma diversidade de formas nos quais os geógrafos pensam sobre e investigam o
mundo
·
Faz
os atentos da posição da natureza do conhecimento geográfico
·
A
novos conceitos e teorias
A
geografia urbana fornece bons exemplos de diferentes formas pelas quais os
geógrafos estudam o mundo e a natureza posicionada do conhecimento geográfico.
Os
geógrafos urbanos têm se focado na experiência pessoal de grupos particulares (jovens,
deficientes, idosos, …) Para chamarmos a atenção que as pessoas que vivem na
cidade não são grupos homogéneos sobre o qual podemos fazer generalizações.
Esta forma
de olhar para as cidades é poderosa e contribui para o nosso entendimento.
Apesar das
áreas urbanas serem influenciadas, por alguns processos em comum, estes
processos afetam de forma diferente no mundo, por exemplo, os geógrafos que
estudam as cidades africanas e asiáticas reconhecem que estas têm sido
influenciadas por diferentes processos históricos sociais e políticos do que no
Ocidente.
- Conhecimento
de áreas urbanas produzido por geógrafos que trabalham em contextos
norte-americanos europeus
- O nosso
conhecimento do mundo parte sempre de um certo ponto de vista ponto. vemos
daqui em vez de ali
O
conhecimento geográfico está posicionado, influenciado pelas lentes através das
quais os geógrafos têm visto o mundo, enquadrados pelas questões a que dão
atenção.
Conceitos
importantes no pensamento geográfico como a natureza, sustentabilidade,
globalização, desenvolvimento, etc, são usados de forma diferente. Os estudantes
precisam de encontrar diferentes definições e usos para discutirem o seu
significado.
3 …
permite os estudantes de terem atenção aos valores dimensionais das decisões
que afetam o local, nacional e o mundo geográfico
Os grandes
problemas atuais como as alterações climáticas, garantir os futuros bens de
água, comida e energia para a população em crescimento no mundo, o “gap” global
entre os mais ricos e os mais pobres e a desigualdade nas trocas mundiais são
mais prováveis de serem estudadas na escola geográfica do que noutras áreas.
Os tipos
de problemas com que os planeadores lidam, problemas sociais, são inerentemente
diferentes dos problemas que os cientistas ... lidar com. Os problemas de
planeamento são inerentemente “perversos”.
Os
"problemas perversos" (Wicked problems) tem as seguintes
características:
•
Não
existe formulação definitiva de um problema “perverso”.
•
Todos
os problemas “perversos” são essencialmente únicos.
•
Todos
os problemas “perversos” podem ser considerados um sintoma de outro problema.
•
As
soluções para problemas “perversos” não são verdadeiros ou falsos, mas boas ou
más.
•
Não
existe um teste final de solução para um problema “perverso”.
•
Não
há oportunidade de aprender por tentativa e erro
Os tipos
de questões estudadas na geografia escolar, globais, nacionais e locais,
partilham as características dos "problemas perversos".
Decisões e
possíveis soluções estão relacionadas como o problema é visto. Os problemas são
controversos porque as pessoas veem de diferentes formas como devem resolver.
Os
estudantes através de atividades podem desenvolver um entendimento melhor de
problemas recentes e serem mais críticos na avaliação de argumentos usados
contra ou a favor do ponto de vista. Tornam-se mais atentos às dimensões
étnicas e começam a ter as suas opiniões. Pensam mais criticamente sobre como
os problemas são apresentados no mídia.
Permitir
aos estudantes estudarem os valores dimensionais do problema é poderoso pois
está relacionado aos seus interesses, pesquisas mostram que pessoas jovens são
mais interessadas em problemas que terão impacto no futuro do planeta e nas
suas próprias vidas. moroso porque durante a vida deles fora da escola vão-se
tornar mais atentos a vários problemas como a dimensão geográfica, vão ser
confrontados com argumentos contra e a favor de uma solução particular e vão
tornar-se mais atentos às injustiças do mundo. A escala geográfica tem o poder
de permitir ou estudantes de pensarem mais claramente sobre os problemas que
eles encontram tanto agora como no futuro.
4 …
estudantes desenvolvem as skills necessárias para lidar com os complexos
do conhecimento geográfico e para desenvolverem um entendimento
As
habilidades (skills) que os estudantes precisam para perceberem o mundo
incluem particularidades associadas à Geografia como a leitura de mapas e SIG, assim
como habilidades genéricas relacionadas à investigação (figura 1) e o
pensamento crítico.
Figura
1: Competências que podem ser desenvolvidas em geografia escolar
Fonte: Roberts 2017
Apesar de
as habilidades de investigação poderem ser adquiridas/desenvolvidas noutras matérias,
a escola geográfica que consegue fazer maiores contributos para o seu
desenvolvimento devido ao leque de questões faladas, com várias fontes de
informação presentes em diferentes formatos, às vezes diferentes pontos de
vista, e o uso de diferentes técnicas de análise e interpretação.
Tudo o que
é estudado na Geografia na sala e no campo requer o uso de algumas habilidades.
O
documento do currículo e os planos de lição devem identificar oportunidades
para os estudantes desenvolverem habilidades que são relevantes para o que eles
estão a estudar para então se tornarem competentes no seu uso.
Se bem
desenvolvidas na sala de aula e no campo, as competências de investigação
incorporam competências de pensamento crítico que enfatizam o rigor, questionam
e não tomam algo pelo valor facial.
As
habilidades são poderosas pois permitem os estudantes de interrogarem,
analisarem e interpretarem a informação. São poderosas pois usando-as, os
estudantes desenvolvem entendimento crítico de como o conhecimento geográfico é
construído e representado.
Isto deve
permitir-lhes dar mais sentido às representações do mundo que encontram não só
na geografia escolar, mas também no seu dia a dia.
5 …
estudantes tomam uma parte ativa na aprendizagem
Se a
educação geográfica é tão poderosa, então isso exige uma poderosa pedagogia. A
pedagogia é influenciada pelo que são considerados os propósitos da educação e
pelas ideias sobre a aprendizagem. Os principais objetivos da educação
geográfica são permitir que os alunos pensem geograficamente e desenvolvam uma
compreensão crítica do mundo.
Os estudantes precisam de estarem ativamente dentro da
construção do conhecimento e que isto possa ser alcançado através do uso da
investigação e falarem em salas de aulas.
Ensinar
através do diálogo requer uma mudança na cultura da sala de aulas. Invés do
professor falar ser o dominante, os alunos são encorajados a participarem na
discussão.
Para que a
educação geográfica seja poderosa, então a cultura da sala de aula precisa de
valorizar uma abordagem curiosa da aprendizagem e do envolvimento dos alunos em
atividades propositadas, discussão e questionamento crítico.
Conclusão
A educação
geográfica é poderosa se valoriza o conhecimento quotidiano dos alunos,
permite-lhes ver o mundo de diferentes maneiras, faz com que eles percebam a
natureza carregada de valor das questões estudadas em Geografia e as dota com
as competências necessárias para dar sentido ao conhecimento geográfico. Isto
depende de uma pedagogia poderosa.
Sumário: Discussão do texto da Margaret Roberts sobre o
conhecimento poderoso em Geografia
O conhecimento científico ajuda a enquadrar o conhecimento
espontâneo e este ajuda a reconstruir o conhecimento científico
Fonte:
Roberts, M. (2017). Geographical education is powerful if... Teaching geography, 42(1), 6-9.