quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Texto/5ª Sessão - Geographical education is powerful by Margaret Roberts in 2017

 Para dar uma pequena introdução ao texto vamos começar primeiro por explicar o termo conhecimento poderoso (Powerful knowledge). Este termo foi criado por Michael Young e significa que o tal conhecimento poderoso é produzido a partir da escola, sendo assim, a escola é importante. Este conceito aparece por volta dos anos 2000 numa altura em que se começava a ter um mal estar na escola (desvalorização do conhecimento escolar) uma vez que tem existido um discurso que desvaloriza a escola (discussão do fim da história), dizendo que os alunos não aprendem nada na escola e que aprendem mais na Internet, ou seja, o que é cimento escolar e a escola estão “mortos”. O texto dá uma opinião contrária ao que corre sobre esta desvalorização falando então do realismo crítico que choca exatamente com o discurso da desvalorização da escola. Na minha opinião não só na experiência como aluno como após ler este texto tenho que afirmar que sim a educação geográfica é um conhecimento poderoso, assim como conhecimento escolar.

Introduzindo então agora o texto Geographical education is powerful da Margaret Roberts somos abordados então como já referido anteriormente pelo termo “powerful knowledge” (conhecimento poderoso) de Michael Young onde este diz que é um conhecimento desenvolvido dentro das disciplinas académicas que maior parte dos estudantes não teria acesso se não nas escolas. Margaret Roberts fala em como a educação geográfica pode ser poderosa. Por outras palavras este texto vai demonstrar como indicação geográfica é um conhecimento poderoso.

1… permite aos estudantes fazerem conexões entre o seu conhecimento do “dia a dia” e a Geografia escolar

Vygotsky (1920) fala que há 2 tipos de conhecimento o espontâneo e o científico.

No conhecimento espontâneo os conceitos são relacionados com o desenvolvimento da criança através da experiência, sem instrução. Por sua vez o conhecimento científico os conceitos são relacionados a disciplinas académicas e adquiridas com o apoio de um professor.

Estes 2 conceitos estão estreitamente conectados e ligados:

- Conceitos de disciplinas abstratas adquiridas pelas crianças crescem relacionados aos conceitos do dia a dia

E por sua vez

- As estruturas providenciadas pelos conceitos disciplinares permitem os conceitos do dia a dia das crianças se desenvolverem em direção ao consciente e ao uso deliberado das mesmas

As ideias de Vygotsky têm influenciado a educação no geral e o conhecimento do “dia a dia” tem sido reconhecido como valioso em todas as fases da educação geográfica

No nível primário (Catling and Martin, 2011):

Tanto o conhecimento do dia a dia e o conhecimento disciplinar deviam ser considerados poderosos. O conhecimento do dia a dia não é necessariamente ingénuo e pouco temático, mas que pode ser racional, coerente e estruturado. Estes 2 tipos de conhecimento poderoso (disciplinar e o do dia a dia) são trazidos juntos na sala de aula, onde as crianças podem desenvolver novo conhecimento e entendimento.

No nível secundário (Catling and Martin, 2011):

O conhecimento do dia a dia tem sido uma parte essencial dos projetos de várias associações geográficas (GA – Geographical Associations) como, por exemplo, "Valorizar Lugares" visava desenvolver a compreensão dos estudantes sobre a conexão global, baseando-se nas suas geografias pessoais de lugar.

Estudantes trazem para a escola válidas e importantes conhecimentos baseados NOS seus interesses e nas suas necessidades (The Young People’s Geographies Project).

Um dos três ingredientes-chave no “processo de fazer um currículo” são as “experiências dos estudantes” (segundo a GA).

No nível universitário (Catling and Martin, 2011):

Encorajam os estudantes a fazer conexões entre as suas experiências do dia a dia e o que eles estão a estudar.

O conhecimento do dia a dia é particularmente relevante para o estudo da Geografia:

Primeiro, é um objetivo de estudo e de fonte de informação para alguns geógrafos académicos.

Segundo, os estudantes trazem para a escola algum conhecimento da maior parte dos temas estudados pela Geografia.

Dar aos alunos a oportunidade de conectar os seus conhecimentos do dia a dia com a geografia escolar é poderoso pois respeita o que os alunos já sabem. Valoriza o que podem contribuir para pensar em muitos aspetos da geografia. Ajuda-os também a entender os novos conceitos geográficos e permite que os professores corrigem os mal entendidos que podem interferir na aprendizagem.

2… transformar as formas como os estudantes percebem o mundo

A Geografia escolar leva os estudantes além do seu conhecimento do dia a dia.

Introduzindo os estudantes:

·         A uma diversidade de formas nos quais os geógrafos pensam sobre e investigam o mundo

·         Faz os atentos da posição da natureza do conhecimento geográfico

·         A novos conceitos e teorias

A geografia urbana fornece bons exemplos de diferentes formas pelas quais os geógrafos estudam o mundo e a natureza posicionada do conhecimento geográfico.

Os geógrafos urbanos têm se focado na experiência pessoal de grupos particulares (jovens, deficientes, idosos, …) Para chamarmos a atenção que as pessoas que vivem na cidade não são grupos homogéneos sobre o qual podemos fazer generalizações.

Esta forma de olhar para as cidades é poderosa e contribui para o nosso entendimento.

Apesar das áreas urbanas serem influenciadas, por alguns processos em comum, estes processos afetam de forma diferente no mundo, por exemplo, os geógrafos que estudam as cidades africanas e asiáticas reconhecem que estas têm sido influenciadas por diferentes processos históricos sociais e políticos do que no Ocidente.

- Conhecimento de áreas urbanas produzido por geógrafos que trabalham em contextos norte-americanos europeus

- O nosso conhecimento do mundo parte sempre de um certo ponto de vista ponto. vemos daqui em vez de ali

O conhecimento geográfico está posicionado, influenciado pelas lentes através das quais os geógrafos têm visto o mundo, enquadrados pelas questões a que dão atenção.

Conceitos importantes no pensamento geográfico como a natureza, sustentabilidade, globalização, desenvolvimento, etc, são usados de forma diferente. Os estudantes precisam de encontrar diferentes definições e usos para discutirem o seu significado.

… permite os estudantes de terem atenção aos valores dimensionais das decisões que afetam o local, nacional e o mundo geográfico

Os grandes problemas atuais como as alterações climáticas, garantir os futuros bens de água, comida e energia para a população em crescimento no mundo, o “gap” global entre os mais ricos e os mais pobres e a desigualdade nas trocas mundiais são mais prováveis de serem estudadas na escola geográfica do que noutras áreas.

Os tipos de problemas com que os planeadores lidam, problemas sociais, são inerentemente diferentes dos problemas que os cientistas ... lidar com. Os problemas de planeamento são inerentemente “perversos”.

Os "problemas perversos" (Wicked problems) tem as seguintes características:

         Não existe formulação definitiva de um problema “perverso”.

         Todos os problemas “perversos” são essencialmente únicos.

         Todos os problemas “perversos” podem ser considerados um sintoma de outro problema.

         As soluções para problemas “perversos” não são verdadeiros ou falsos, mas boas ou más.

         Não existe um teste final de solução para um problema “perverso”.

         Não há oportunidade de aprender por tentativa e erro

Os tipos de questões estudadas na geografia escolar, globais, nacionais e locais, partilham as características dos "problemas perversos".

Decisões e possíveis soluções estão relacionadas como o problema é visto. Os problemas são controversos porque as pessoas veem de diferentes formas como devem resolver.

Os estudantes através de atividades podem desenvolver um entendimento melhor de problemas recentes e serem mais críticos na avaliação de argumentos usados contra ou a favor do ponto de vista. Tornam-se mais atentos às dimensões étnicas e começam a ter as suas opiniões. Pensam mais criticamente sobre como os problemas são apresentados no mídia.

Permitir aos estudantes estudarem os valores dimensionais do problema é poderoso pois está relacionado aos seus interesses, pesquisas mostram que pessoas jovens são mais interessadas em problemas que terão impacto no futuro do planeta e nas suas próprias vidas. moroso porque durante a vida deles fora da escola vão-se tornar mais atentos a vários problemas como a dimensão geográfica, vão ser confrontados com argumentos contra e a favor de uma solução particular e vão tornar-se mais atentos às injustiças do mundo. A escala geográfica tem o poder de permitir ou estudantes de pensarem mais claramente sobre os problemas que eles encontram tanto agora como no futuro.

 … estudantes desenvolvem as skills necessárias para lidar com os complexos do conhecimento geográfico e para desenvolverem um entendimento

As habilidades (skills) que os estudantes precisam para perceberem o mundo incluem particularidades associadas à Geografia como a leitura de mapas e SIG, assim como habilidades genéricas relacionadas à investigação (figura 1) e o pensamento crítico.

Figura 1: Competências que podem ser desenvolvidas em geografia escolar

Fonte: Roberts 2017

 

Apesar de as habilidades de investigação poderem ser adquiridas/desenvolvidas noutras matérias, a escola geográfica que consegue fazer maiores contributos para o seu desenvolvimento devido ao leque de questões faladas, com várias fontes de informação presentes em diferentes formatos, às vezes diferentes pontos de vista, e o uso de diferentes técnicas de análise e interpretação.

Tudo o que é estudado na Geografia na sala e no campo requer o uso de algumas habilidades.

O documento do currículo e os planos de lição devem identificar oportunidades para os estudantes desenvolverem habilidades que são relevantes para o que eles estão a estudar para então se tornarem competentes no seu uso.

Se bem desenvolvidas na sala de aula e no campo, as competências de investigação incorporam competências de pensamento crítico que enfatizam o rigor, questionam e não tomam algo pelo valor facial.

As habilidades são poderosas pois permitem os estudantes de interrogarem, analisarem e interpretarem a informação. São poderosas pois usando-as, os estudantes desenvolvem entendimento crítico de como o conhecimento geográfico é construído e representado.

Isto deve permitir-lhes dar mais sentido às representações do mundo que encontram não só na geografia escolar, mas também no seu dia a dia.

… estudantes tomam uma parte ativa na aprendizagem

Se a educação geográfica é tão poderosa, então isso exige uma poderosa pedagogia. A pedagogia é influenciada pelo que são considerados os propósitos da educação e pelas ideias sobre a aprendizagem. Os principais objetivos da educação geográfica são permitir que os alunos pensem geograficamente e desenvolvam uma compreensão crítica do mundo.

Os estudantes precisam de estarem ativamente dentro da construção do conhecimento e que isto possa ser alcançado através do uso da investigação e falarem em salas de aulas.

Ensinar através do diálogo requer uma mudança na cultura da sala de aulas. Invés do professor falar ser o dominante, os alunos são encorajados a participarem na discussão.

Para que a educação geográfica seja poderosa, então a cultura da sala de aula precisa de valorizar uma abordagem curiosa da aprendizagem e do envolvimento dos alunos em atividades propositadas, discussão e questionamento crítico.

Conclusão

A educação geográfica é poderosa se valoriza o conhecimento quotidiano dos alunos, permite-lhes ver o mundo de diferentes maneiras, faz com que eles percebam a natureza carregada de valor das questões estudadas em Geografia e as dota com as competências necessárias para dar sentido ao conhecimento geográfico. Isto depende de uma pedagogia poderosa.


Sumário: Discussão do texto da Margaret Roberts sobre o conhecimento poderoso em Geografia

O conhecimento científico ajuda a enquadrar o conhecimento espontâneo e este ajuda a reconstruir o conhecimento científico

Fonte:

Roberts, M. (2017). Geographical education is powerful if... Teaching geography, 42(1), 6-9.

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